segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

e 2010 está acabando.


Foram 361 dias vividos até a última gota de suor- ou lágrimas. Me lembro como se fosse hoje, ou como se não se fosse. Porque algumas coisas, por mais que pareçam se desmantelar, ainda deixam - e pra sempre, talvez, deixarão - suas marcas. Não sou amesma que terminou 2009, em todos os aspectos. Me formei, comecei outra, trabalhei duro, fui promovida duas vezes em um ano. Aprendi que o trabalho dignifica o homem, de verdade. Aprendi a dormir tarde, acordar cedo, a não deixar o coração amolecer por bobagens. Aprendi que ainda não sei discernir as bobagens. Depois eu perdi. Perdi meu exemplo vivo, de vida, amor, e bem-estar. Perdi, e perdendo, descobri que é preciso sorrir - em qualquer tempo. E de repente, me percebi: lá estava eu, pensando que qualquer coisa valia a pena. Valer sem valor, valer por estar, por não querer desperdiçar, jogar fora. Até que um dia a casa cai, pois vai vá curtir, seu deserto, vai. Liguei o som baixinho do carro, ouvir pra escutar melhor. Expulsar, expurgar, mandar embora. Aprendi a ser forte e fazer o que é certo - mas principalmente, que não tem nada melhor que um abraço amigo. Chorei muito, sorri mais ainda. Abracei tanto, mas tanto que acho que meus braços até cresceram. Aprendi que beijos estalados numa manhã chuvosa são o melhor remédio pra uma noite mal dormida. E que noites mal dormidas são muito bem vindas de vez em quando. Não consegui deixar o tempo passar, saí correndo e cheguei primeiro. Quero que 2011 seja igual, seja bom, seja doce. Que me dê mais tempo, mais beijos estalados e mais abraços apertados. Que seja, enfim, bom, incrivelmente bom. 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ouça um bom conselho, que eu lhe dou de graça.

Uma das coisas que eu mais prezo são os  nossos critérios, é bem verdade que por vezes eu me esqueci deles, mas no fim, invariavelmente, são eles que pigam meus is. E hoje, depois de cinco anos de relacionamentos - ora frustrados, ora terminados -, eu aprendi que são os meus valores que me mantêm firme, em pé, ainda que com o coração despedaçado.  Esse é conselho que eu sempre dou para os meus amigos: não importa o quanto você ame, se intimamente você não se sentir confortável com isso, não vai dar certo. E procure fazer isso rápido, antes  as coisas se compliquem e se confudam e você já não saiba o que está fazendo ali - ou aqui -, de fato. É como diz Carpinejar, sempre que tento fazer alguém feliz, eu é que acabo triste. Sempre quando você releva pelo outro, é você quem termina sozinho. Não que nada possa ser relevado, a final relacionamentos são construídos, mas o fundamental, o respeito que você tem por si mesmo - e por consequência, pelo outro - é a única coisa que de fato importa. As pessoas não mudam, e por melhor e mais bem intencionado que você seja, nem tudo depende de você, ou do seu amor.  Por isso se resguarde, prefira manter-se de pé sozinho, do que estirado acompanhado. No amor não existem vencendores, andamos de mãos dadas.

"Quem gosta da orgia 
Da noite pro dia
Não pode mudar"

domingo, 12 de dezembro de 2010

fim de ano

E talvez eu esteja com medo desse fim de ano. Da meia-noite, dos fogos, do telefone tocando. Nunca gostei de fins-de-ano, mas por algum tempo achei que tivesse me acostumado. Mas acostumar é uma maneira de se enganar também, é achar que o agora vale mais que a vida toda. E não vale? Não valeu. Começou ruim e terminou pior, coração que aprendeu a  tomar coragem, até ter raiva de si mesmo e da sua própria indignação. Aí a gente sofre e faz quem gosta da gente sofrer junto. Mas aí deu pra criar um pouquinho de casca, de desconfiança, de malandragem. Ou não, não importa, a gente é o que é. E o caminho é realmente mais duro quando se faz sozinho. Olhar pra frente e não pros lados. Não ter medo de tentar de novo e sempre. Não desanimar. Não querer resolver todos os problemas do mundo. Não ter a obrigação de deixar os outros felizes. Não esquecer de olhar pra dentro. Não deixar que as coisas ruins tomem conta da sua suposta felicidade. E se deixar desenrolar, e perceber a vida como ela se dá. Deixar que as coisas ruins passem e as boas fiquem. Esperar e não se acostumar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Escrever

Estou sentada há mais de uma hora na frente do computador, tenho algumas idéias e muitos receios. Estou um pouco cansada de não me focar no que realmente é para escrever aqui neste blog, por isso vou pelo básico: como se escreve? Como eu escrevo? Um cantinho um violão, esse amor, uma canção. Eu escrevo pra fazer feliz a quem me ama, como diria meu grande mestre Tom. Para escrever é preciso achar a música certa, o tom exato. O sibilar  precisa sair do corpo, às vezes como suor, às vezes em forma de lágrima. Isso talvez seja o que muitos chamam de inspiração, mas para mim é só saber escutar o zunido que a vida provoca. Saber escrever, antes de tudo, é saber olhar a vida, respirá-la, inspirá-la. Ainda mais, é saber se olhar, se respirar, se inspirar. O sertão é dentro da gente, eu já me apropriei. Escrever é copiar, antropofazijar, deixar que as palavras ganhem novos significantes e significados. Se estender para além do corpo, minhas extremidades de nanquim. Eu saio borrando tudo por aí. Quero ter o mundo nas mãos, por isso escrevo. Quero criar meu próprio mundo, me travestir de quem eu sou, deixar escapar o que sinto. Tenho o poder de transformar meus medos, construir minhas próprias verdades. Me deixo ser o que não sou, para assim chegar a ser. Escrevo para ser palpável. 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O sol ainda vai nascer.

O seu esforço não vale nada, eu já aprendi a lição. O que vale mesmo é o amor que você tem pelo que está em volta.O quanto você se sacrifica, é besteira. O negócio é dormir pouco e rir muito, o máximo possível, de tudo.  Aproveitar a vida enquanto ela ainda está se dando pra você. Não ter medo, não ter sono e não ter preguiça. Não perder olhares, cores, sons e gestos. Não levar tudo tão a sério, mas saber quais são as coisas realmente sérias. E perceber que seriedade nada tem a ver como rugas ou rabugice, mas com não deixar escorrer pelo tudo aquilo que você quer pra si.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sem mistério.

Às vezes eu fico me perguntando até que ponto eu consigo discernir realidade de fantasia, e também até que ponto as pessoas são levianas ou não. Uma das minhas maiores qualidades - ou defeitos, talvez - seja a transparência: eu não sei mentir. Aliás, muito pelo contrário, meu rosto denuncia cada milímetro de pensamento. Isso faz com que eu me torne uma pessoa facilmente manipulável. Eu não sei esconder o jogo, eu não sei nem jogar. Ao mesmo tempo que eu mino todas as possibilidades que me desagradam, eu também escancaro as portas pra quem eu quero comigo. É difícil ser assim, não tem muito mistério e nem muita graça. É pão-pão, queijo-queijo. O que torna meus amigos sempre mais paternais que o normal, é como se eles quisessem me proteger daquilo que não consigo ver. Dou trabalho, sei que sim. Sei que não consigo esconder o cansaço e muito menos a alegria. Sei também que sou egoísta quando se trata dos meus. Quero todos juntos, sentados do meu lado, me fazendo companhia. E o resto do mundo eu quero que exploda, sem dó. E eu não disfarço, eu não sei. Eu não sei um monte de coisas de gente grande e do mundo de verdade. Mas eu não sei se eu quero descobrir.

domingo, 28 de novembro de 2010

Steve Jobs, a morte e a vida.


Hoje é domingo a noite, e eu pego o notebook, ponho no colo e sento na varanda. Tô pensando no meu dia de amanhã. Domingos sempre me deixam ansiosamente estranha.Aí eu resolvi assistir aquele discurso do Steve Jobs, pros formandos de Stanford. É claro que tem aquela coisa toda de merchandising, mas no fundo vale a pena ver. Tem uma hora que ele diz que você precisa ter a morte sempre como parâmetro, ou seja, você acorda de manhã e pensa: se eu fosse morrer hoje eu faria exatamente o que vou fazer? E se a resposta for repetidamente não por algum tempo, é porque tem alguma coisa errada. Sabe, eu não trocaria meu dia de amanhã, principalmente se fosse morrer. Acho até que se não fosse, eu pediria mais um diazinho de fim-de-semana, pra poder descansar mais. Mas a questão é outra,  o que mais fez sentido no discurso dele foi quando ele disse sobre acreditar no seu coração. Tome as atitudes que você acha que deve tomar, mesmo que elas não façam muito sentido hoje. E confie que as linhas da sua vida, por mais desconexas que possam parecer, um dia irão se juntar. Uma hora tudo fará sentido, você tem que acreditar - mesmo que seja difícil. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A novela da minha vida

Quando até o passarinho faz coco na sua cabeça, é hora de parar de reclamar e rir.

Faz algum tempo - e eu já até comentei sobre isso aqui - que eu entrei na Igreja da Consolação e pedi que Deus me desse alguma luz e, como não foi nenhuma novidade, ele não deu. Minha história com Ele sempre foi turbulenta e engraçada. Comédia para os outros, tragédia para mim. Ultimamente tenho dito que Deus anda tirando uma onda da minha cara, como se fosse escritor de novela. Nunca tive tantas novidades em um mês, uma semana, um dia. Mas tinha que ser com você, é o que mais eu tenho escutado. Tinha? Tem uma hora que cansa e você só quer que nada mais aconteça, pelo menos até amanhã. Tem uma hora que você quer ter certezas, mesmo que você já tenha aprendido que todas elas são efêmeras e sem garantias. Mas você só quer poder relaxar um pouco, parar de reclamar, começar a viver. Sentir o cheiro da vida, das cores, das coisas. Dar bem mais que seu mau-humor e cansaço praqueles que você ama. Deixar de ser resto, pra ser inteiro. Deixar de ser pedaço pra ser todo. Mas Ele insiste em brincar comigo. Quando eu começo a relaxar, as coisas se enrolam novamente. E é que nem novela, nem tudo é ruim. As coisas ruins só dificultam que as boas aconteçam. E as boas são realmente boas, o problema é todo esse: é a mocinha não se deixar levar por toda a confusão da sua vida e ficar cega, ou achar que vai ser tudo sempre igual. E todo mundo assiste, e todo mundo torce, mesmo sem querer. Eu cansei de desafiar Deus, agora eu só acredito. Acredito naquelas malditas linhas tortas que ele escreve, e fico torcendo pra elas serem um pouco menos tortuosas. Enquanto isso, tudo bem, podem rir e se divertir. Que nem eu consigo ficar séria.

sábado, 20 de novembro de 2010

Éramos nós.

Ai, que saudade.

Vai logo, vai. Aperta a campainha e sai correndo, anda! E a nossa maior preocupação era passar na prova de Química. Éramos as três, completamente diferentes e inseparáveis. É engraçado ver como o tempo passa e agente muda. Quem era quem há 7 anos atrás? Aos 16 qual de nós imaginaria que ainda teríamos as mesmas crises e riríamos das mesmas bobagens agora? É engraçado ver como cada uma se transformou, e foi quase impossível prever o futuro. Não foram só nossos cabelos, nossas roupas e nossos namorados que mudaram. A gente também se mudou, Santos-São Paulo-São José. E são raras os nossos encontros. Uma hora é uma que trabalha demais, outra que namora demais, outra que só quer saber de cair na noite. Depois os papéis de invertem, o trabalho vira faculdade, o namoro vira tristeza e a balada começa a perder a graça. Como se não tivesse graça sermos iguais o tempo todo. Como se assim não tivesse motivo pra brigar. Porque a gente também briga muito. Uma é muito grossa, outra é muito ciumenta outra não sabe se fazer entender. Mas aí a gente fala que a janela do msn não piscou, que o celular deu pau, que foi tudo uma mal entendido. Porque a gente não quer perder essa certeza. De ligar a qualquer hora, de pedir pelo amor-de-deus-liga-a-webcam-e-vê-se-eu-to-bonita? De rir até chorar com a insegurança da outra. De prometer e nunca cumprir. De bater aquele aperto no peito cada vez que a gente se fala e vê que, por mais que não sejamos nem sombra do que fomos, o sentimento é o mesmo, esse amor não passa.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Até onde você é capaz ?

O que que vale a pena ?

domingo, 7 de novembro de 2010

O agora.

Ela tinha conseguido tudo que queria até então. Tudo bem que não era exatamente o que tinha imaginado que seria aos dez. Mas também, já havia mudado de idéia tantas vezes, que seria impossível satisfazer por completo suas aspirações infantis. Mas enfim, era uma mulher. E tinha, de certa maneira, meio de lado, meio modesta, meio sem jeito, uma ponta de orgulho daquilo que tinha se tornado. Sentia como se finalmente houvesse algo palpável dentro de si. Algo seu. Sabia que não era perfeita, que magoava a maior parte das pessoas que não queria magoar, que muitas vezes era injusta e em grande parte do tempo estava cansada demais para ser uma boa companhia. Mas era sua maneira de conseguir seguir em frente e, por mais que tentasse, não conseguia mudar muito. Tudo parecia acontecer muito rápido, e as decisões sensatas que deveria tomar sempre se transformavam em rasgos de impulsividade. Mas era verdadeira. E também cheia de pedacinhos bons. Achava que eles compensavam. E, mesmo não sendo o que um dia havia sonhado, acreditava ser e estar melhor que em qualquer conto de fadas. A final, não tinha nada de encantada. E era bem melhor assim.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

É tempo de minar as dores e partir pro abraço.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

dorzinhas.

a garganta dói. o pescoço dói. o corpo todo dói. até o que você nem sentia, também dói. dói o pulso, o pulmão, a picada do soro. dói o antibiótico que entra. pra entrar, dói o contraste. também dói a cabeça, o susto. dói a cara de preocupação do seu pai. dói não poder ir trabalhar no que eu tanto gosto. dói meu exagero em sentir dor. em ter medo da dor. dói não saber ficar quieta, sem companhia. mas tem seu lado bom. o carinho, o chocolate quente, o brigadeiro. os telefonemas, as mensagens. o beijo, o abraço. saber que você pode ser chata e reclamona, pode chorar e fazer birra, que tem quem se importe.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

aqui.

Você chega em casa cansada, já são mais de dez da noite e você não consegue dormir. São quinhentas mil coisas pra se fazer e você não dá conta nem de metade delas. Você não sabe a quem obedecer, a quais regras seguir, a qual saúde preservar. Não sabe se luta por si, ou ou mesmo se luta. Sabe que dá mais de si do que é capaz, todos os dias. Sente que em algum momento vai explodir ou morrer. Costuma dizer que está no inferno e ainda sorri. Costuma sorrir, muito, o dia todo. Também já se acostumou a sentir o coração apertar sem motivo várias vezes por dia. Não chora mais, não suspira também. Sente que perdeu um pouco da graça. Tem medo de se apagar, esmorecer. Entre respirações e inspirações, você não tem escolhas. A ordem é transpirar. 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Tenho medo, tenho sono, tenho cama. Tenho um tanto de problemas pra resolver e outro tanto que é só se acostumar porque a solução não vem. Tenho uma cabeça que lateja e um coração que pulsa vezenquando. É uma lista tão grande, é tanta posse, tanta afirmação que eu não dou conta. Quero um canto, quero um colo. Quero aprender a andar com meus próprios pés. Quero tanto de tudo, quero dar conta do todo. Carregar meu mundo nas costas, enfiar tudo na mochila e sair por aí. Quero demais, sempre pra mais.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Palmeiras e Sucre

Tô ansiosa pro jogo. E com medo de dormir. Porque eu ando tão cansada, com o olho quase fechando que eu não sei nem se o maior amor do mundo - sim, eu sou brega - vai me deixar acordada. Mas meu coração voltou a dar pulinhos, isso é um bom sinal. Good vibes. Sem literatura, só futebol. Tem coisa melhor? Melhor ia ser se tivesse companhia pra dividir a cerveja, os gols, o abraço e o sono. 

E vai palmeiras.
(Vai, mas volta e fica, pra comemorar junto

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Fim.

É rapidinho. É só porque quando eu entrei no carro me bateu aquele monte de coisa que sempre me bate toda vez que eu olho pras coisas que eram - são e serão, talvez pra sempre - suas, e eu peguei uma das suas balas ardidas e comi. Sim, porque eu ainda compro um monte delas na esperança de que um dia, de repente, você ainda sente no banco do lado e coma três de uma vez. Eu nem gosto tanto dessas balas, você sabe. Eu sempre preferi as molinhas, docinhas, rosinhas. Você não, sempre duro, forte, quase intragável. E hoje, quando eu senti aquele monte de coisa misturado com o gosto ruim daquele maldito drops, eu vi o que já devia ter suspeitado desde o início.

domingo, 17 de outubro de 2010

como eu cheguei até lá.

Quando me perguntam como eu fui parar numa sala de aula, as pessoas se espantam com o tamanho do meu percurso. Eu já fui quase-tudo e a última coisa que eu esperava na minha vida era me tornar professora. Eu não sei se é aquela coisa que chamam de destino, mas a verdade é que a primeira vez que eu pus meu pé do outro lado da escola eu tive certeza. Eu sei que tem gente que não acredita nisso, assim como não acredita no amor. Mas essa é uma outra história. A questão é que apesar de todos os poréns, toda a responsabilidade, toda a preocupação, todo meu excesso de amor, todas as noites mal-dormidas, toda a minha vontade de acertar, todos os meus -inevitáveis- erros, todo o desespero e tudo aquilo que faz meu coração se despedaçar de medo ou insegurança, apesar de todos os tudos...
Nada vale mais que um sorriso, um abraço, uma certeza. Meu coração se preenche a cada sorriso, a cada detalhe que eu só enxergo por causa de vocês. Porque talvez vocês ainda não saibam, mas eu preciso muito mais de vocês, do que vocês de mim. Que eu aprendo muito mais com vocês, do que vocês comigo. Eu ensino aquilo que eu sei, vocês me ensinam o que sentem. Vocês abrem meus olhos, me descobrem no mundo. Eu não sei o que faria da minha vida sem vocês. Feliz dia dos professores. Porque eu sou feliz.
Dois queijos, sem beijos.

sábado, 16 de outubro de 2010

Ah. Em crise. Eu não sei o que escrever mais. Meu coração cessou. Ou murchou. Ou ficou grande e apertado demais, e com medo de que, quando puxar alguma coisa, todas as outras caiam e eu perca o controle de tudo de novo. Não sei o que eu quero. Muito menos quem eu sou. Eu quero que as coisas sejam mais fáceis. Eu quero tranqüilidade e segurança;

domingo, 3 de outubro de 2010

Eu olho pra bagunça do meu quarto e tento imaginar se tudo que faço é reflexo do que sou. Minha falta de organização material seria reflexo da minha total desorganização mental e emocional? Outro dia um amigo falou assim, "sabe qual é o seu problema? É que você gosta demais de todo mundo. Isso incomoda, não dá pra ser perfeito o tempo todo." 
Isso tomou a minha cabeça por uns dias, nunca em toda a minha vida eu tive a pretensão de ser, ou parecer perfeita. Eu sempre fui a que reclamava, a chata, a briguenta. Nunca deixei barato, nunca aceitei engolir sapo, nunca, mas nunca mesmo fiz algo que não quis só pra ver o outro feliz. Até que alguma coisa mudou e eu não sei o que é. Eu costumava chamar de preguiça, de cansaço. Mas eu acho que não é bem isso, é uma coisa quase chata mesmo, coisa de quem acha que a vida é muito boa pra ser verdade. E eu nunca pensei que minha vida fosse ficar tão deliciosa um dia. Ela é tão gostosa que dá até vontade de dividir. É claro que eu tenho meus momentos de tristeza, de achar que é a hora de jogar tudo pro alto e me atirar da janela. Mas passa. Meu coração aperta, mas depois afrouxa, relaxa. É como se eu desse um passo depois do outro, morrendo de medo de cair no buraco, mas sabendo que eu preciso andar, com quantas pernas eu tiver. E saber que eu tenho braços e mãos e pernas que me  guiam, me preservam e me avisam. É saber que não se pode ser exigente demais com quem quer te fazer feliz. Mesmo que você não goste, mesmo que você ache que está tudo errado e que você pode perfeitamente viver sozinho, você não pode. Uma hora outra, cedo ou tarde, você vai precisar de um abraço. Não basta estar lá, e ser amigo. É preciso deixar que te amem, é preciso se deixar ter amigos. Mesmo que seja difícil, mesmo que parece que você é legal demais e atura todo o tipo de chatisse. Eu não penso assim, eu aturo qualquer tipo de amor. E nem chamo de aturar, chamo de preservar.
Fica a dica pro domingo, que eu vou voltar pro meu trabalho.
Dois beijos.




















domingo, 12 de setembro de 2010

Ó eu aqui outra vez.

Sempre que eu vejo alguém voltando a escrever me dá aquele siricutico e eu volto aqui. Faz muito, mas muito tempo que eu não escrevo nada com mais de 10 palavras. Minha vida tá corrida, meu coração fica acelerado e quem me conhece sabe que eu não consigo relaxar. Eu trabalho muito, estudo muito e fico reclamando que nada  nunca acontece. De fora é quase engraçado, de dentro é quase complicado. Como se eu tivesse ficado a vida inteira a procura de paz, e agora que encontrei, parece que tudo perde um pouco o sentido. As pessoas costumam dizer que precisam de tempo, eu preciso preencher o meu. Meu professor de psicologia diz que essa ânsia por querer fazer milhões de coisas ao mesmo tempo é diretamente proporcional a vontade de se esquecer de si. Talvez, pode ser. Mas o que importa de verdade? Outro dia comprei uma revista que dizia que a explicação da vida estava no inexplicável, mas o resto eu não me lembro. Eu me lembro muito pouco das coisas teóricas. Eu me lembro de tudo que toca meu coração, e é tanta coisa, que o espaço acaba. Esse é meu jeito de tentar. que seja esquecer, que seja continuar. Tentar é colocar um pé depois do outro, respirar fundo e sorrir, sem dever nada pra ninguém. Tem dado certo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um pouco mais

Ando numa procura insaciável por novas músicas no ipod, e estou difícil de satisfazer. To querendo ligar o shuffle na vida. Misturar todo mundo, fechar o olho e ver quem é que está aqui agora. Queria desligar o gosto. Cansei de escolher, de gostar, de sofrer. Que nem reclame da coca-cola, eu quero é curtir a vida. Mas como é que faz? Um dos meus alunos falou assim, curtir é gostar bem curtinho, e eu gosto de você bem compridão. Eu não sei o que eu quero, ainda não decidi se é a dimensão das coisas que as torna ruins. Ou se é o tempo. Ou se é qualquer outra coisa que eu não sei o nome. A verdade é que preciso crescer de vez. Deixar toda aquela coisa que fica amontoando dentro do peito e partir pra uma outra, ser um pouco mais prática. Ser um pouco mais feliz.

sábado, 24 de julho de 2010

O meu eu de cada dia

São oito horas da manhã  e eu estou deitada na cama sentido o frio bater nas minhas costas. Semana que vem eu estou de férias, e não faço absoluta idéia do que fazer com elas. Eu nunca sei o que fazer com as coisas que estão nas minhas mãos, depois de esperas ansiosas, até o bolo de chocolate perde a graça. Ando com muita preguiça, preguiça de comer, de dormir, de ficar sem fazer nada. Ando com saudades antecipadas, de quando os meus pequenos virarem gente do mundo. Ando com um pé depois do outro, com calma, e, isso eu já aprendi, se cansar eu paro. Não vou parar pra sempre, mas eu posso me sentar e tomar um sorvete. Depois eu continuo ou não, depende da companhia. Não quero me alongar, quero ser como sou curta, pequena, mas cheia de tirinhas de prazer. Quero cuidado, de fora e de dentro. De fora pra dentro, de dentro pra fora. Quero muito, quero ser. Me levantar e continuar a escalar a vida de hoje. O meu eu de todo dia.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Abençoado seja o cansaço

Meus olhos ardem depois de 4 horas de sono e 12 de trabalho. Mas a ardência noturna é boa, nos mostra que o dia valeu a pena. Gosto do cansaço, da estafa, do deitar na cama e nem conseguir dormir, pois seu corpo já se esqueceu até do cheiro do descanso. É bom sentir as pernas pesadas,  que flutuam achando-se mortas no colchão.  Sono só serve pra não se morrer, pra se viver é preciso  estar acordado, gastar todos os pedacinhos de vida que escrevem sua história.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Rasga meu coração

Queria escrever um texto pessoal, de personalidade dilatada, sem inventar, sem castigar o que sou. Escrever como quem toma o primeiro gole de cerveja numa tarde quente de verão.  Como quem não se lembra como foi parar na cama, ou nessa cama. Queria viver. Sem que a vida se torne uma eterna espera, sem que se precise se agarrar às pessoas para conseguir se equilibrar nos próprios pés. Quero o desequilíbrio. Quero tudo que acontece. Cheiro. Pele. Deixar o suor escorrer sem medo de molhar, sem medo de se apegar. Quero a coragem dos fracos, daqueles que em miséria sobrevivem sem saberem os porquês. Quero que rasguem as gramáticas e manuais, quero inventar meus acentos. Preencher meus hiatos, ou encará-los de frente, que seja o mais difícil. Quero sofrer, pra depois amar. Amar e rasgar o coração. Amar sem perdão. Quero segurança que se confunda com destreza, pés pequenos e ombros fortes. Quero confusão. Me perder e descobrir que se encontrar é uma questão de ponto de vista. Trocar os óculos, tampar  as canetas, esquecer a hora e se embaralhar no trânsito. E tudo isso porque é bom. Lembrar que noites mal dormidas são tão boas quanto uma colherada de doce de leite. Vou me lambuzar de vida.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Descobriu que fugir não adiantava nada mesmo, outros ares só servem pra mudar a forma do seu complexo capilar.Continuava confusa, senão mais. E se sentia burra, por não saber como resolver situações aparentemente simples. Sabia que se tem que ser forte, mas estava cansada. Queria receber de volta o amor que doava todos os dias.

domingo, 27 de junho de 2010

Ele dizia que ela não podia ser confiável. Seus cabelos faziam uma cortina de mistério em um dos seus olhos. Como se sempre escondesse uma parte da verdade. Hoje isso lhe doía a consciência, aquilo que pensamos em todos inícios, todas as nossas primeiras intuição, são, eram e serão sempre verdadeiras. Não que ela realmente não fosse confiável, porque a verdade é sempre distorcida, isso, em algum tempo, ele já tinha retorcido. O lado da verdade que latejava, como a escuridão dilatando pupilas, era que ele nunca encontraria segurança em metades entrecortadas por fios de cabelo. E sabia disso quando eles entraram mesmo por entre seus lábios, quando insistiam em separar seu suor do dela. Pensou em arrancá-los, mas temia, até porque nunca escondeu sua importância, que perdesse sua fascinante beleza. Comprou fivelas, lenços e tiaras, e mesmo quando as usava, aqueles impressionantes fios insistiam em sorrateiramente persuadir as fibras plásticas e esconder os lampejos de um olhar. Ah, aquele olhar. Era por ele que seu peito se dilacerava em lembrança dolorida de um amor incerto. Que sempre fora, que sempre se soube incerto. Amores não podem crescer por entre fios de cabelos. Marrons e sedosos, que dissimulavam seus dedos, fazendo-o pensar, ao menos por um instante, que era um adendo à sua imensa beleza. Sua não, nunca fora. Fora suor, sangue e lágrimas. Mas nada sua, nem beleza, só passado sem particípio. Seu coração transbordava, falar em dor transformaria suas profundas feridas calcificadas em superficialidades mínimas. Olhar dentro dos olhos dela, já não seria mais a verdade que nunca fora. Era hora de parar de lutar contra o irremediável, descansar os dedos e braços que viviam para lhes tirar os  fios do rosto. Era de confiar nos seus instintos e não se deixar invadir  pelo impenetrável. Era hora de sublimar a si mesmo para renascer.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Frio

Eu ponho três casacos.


Nada me aquece
O frio bate
fica 
e racha as paredes todas
da sala
do meu estar.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Olha eu aqui.

Voltei. Ou melhor, continuo, porque nunca abandonei. É que as minhas horas estão tão cheias, mas tão cheias, que às vezes precisava multiplicar por três. E eu tenho que escrever, por pura obrigação, aqui: oficinadalaura.blogspot.com. Aí me cessa, me cansa, me deixa com a cabeça cheia, com o coração pesado, parece que sou só uma, quando na verdade sou três e quatro, sou cinco e seis. Mas tenho tido gratas surpresas,  quando tudo se aparnafelha e eu me distraio, acabo sem pensar, escorregando por dentro e saindo pela boca. E E tenho suspeitado que esse será o caminho.

Acho que eu só estou aqui porque eu sou um mar de saudades. Parece que mesmo depois de tanto tempo não entendi que o amor é uma coisa à toa. E como se fosse possível fazê-los sentir, o meu abraço mais apertado, o meu eterno "confia em mim", todas as minhas broncas, e todas as nossas bagunças. Que vocês continuem fortes e grandes, e não precisem mais de mim. Uns beijos bem estrelados.

sábado, 13 de março de 2010

A aula da aula.

Nunca gostei de escritas condicionadas, temas e fôrmas. Não gosto de nada que pode o subjetivismo, acredito que a escrita dependa de impulsos, internos e externos. Mas é preciso cuidado com aquilo que vem de fora, a cautela nunca é demais quando falamos em sugestão. Por isso eu acho dificílima a tarefa de ensinar a escrever. Ano passado fiz um curso que eu poderia chamar grotescamente de formação de poetas e, muito mais do que escrever, aprendi como se estimula a escrita. Digo estimula, porque supõe-se que escrever, você já aprendeu aos seis anos. Mas continuemos, primeiro é preciso conteúdo. Não adianta se bater na mesma tecla a todo momento, e caso seja essa a intenção, é preciso ser perspicaz, tirar a monotonia de uma reflexão já condicionada  e aprofundar os ângulos que formem seu tema. O professor, ou o estimulador de futuros escritores, como prefiro dizer, deve ter em mente que é preciso arrancar aquilo que há de mais pulsante em cada um, e isso deve ser um violento estupro. Para se refletir sobre o que se escreve precisa-se colocar o estudante em posição desconfortável, mais que isso, precisa-se exigir dele  o máximo de esforço, físico e mental durante o exercício da escrita. Isso porque escrever é doloroso, é imprescindível a destreza de pensamentos e o sincronismo entre dedos e mente. Por isso, o tutor deve acompanhar o processo, e até mesmo invadi-lo quando necessário. Colocar o sujeito em xeque. Atar suas mãos e dizer escreva. Não bastam discussões não empíricas, atingir a superficialidade do que se pode ser é desprezível. Mas para isso é preciso de um olhar além, de uma sensibilidade a mais, de bases sólidas, para que não haja a destruição total. Deve-se criar um ambiente de exercício da liberdade, para sentir-se a prisão em que ela nos coloca.

"Escrever existe por si mesmo? Não. É apenas o reflexo de alguma coisa que pergunta. Eu trabalho com o inesperado. Escrevo como escrevo sem saber como e porquê - é por fatalidade de voz. O meu timbre sou eu. Escrever é uma indagção. É assim?"

Clarice Lispector, Um sopro de vida (Pulsações)p.14.

domingo, 7 de março de 2010

Passagem

Sufoco. O sol estava brilhando quando ela deu o primeiro respiro do dia. Tinha dormido com a janela aberta e, como sempre, tinha acordado com o primeiro raio de sol. A casa estava silenciosa, e mesmo depois de tanto tempo, ainda estranhava estar sozinha naquele apartamento. Não se lembrava do que tinha pra fazer naquele dia, mas suspeitava de ser um dia seco, sem água que pingasse. Deu duas fortes espreguiçadas e se levantou. Procurou pelo seu céu, branco e rabiscado, uma frase que a fizesse começar o dia suavemente. Sabia de cor tudo o que, num dia frio e solitário de inverno, escreveu com tanto cuidado no teto de seu quarto. Que seja doce, achou. Parecia muito clichê, mas ela sabia que era mais uma daquelas pessoas que tanto criticava. Em pensamento, era só frases feitas, toques profundos, jatos de água quente. Mas detestava se mutilar com julgamentos sobre si mesma. Era dura e cruel, muito mais consigo do que com os outros. E não sabia como tirar todo o amor que tinha dentro de si, por isso tinha escolhido a solidão. Seu peito latejava, ela sentia toda a imensidão pulsando dentro dela e sem poder dar a ninguém. Pedia todos os dias que o amor estancasse dentro de si. Precisava de paz, precisava de pouco para que pudesse doar. Não seriam mais possíveis transfusões. Ela só queria um toque. De leve. E que a fizesse sorrir. Só.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Vou por aí

Cansada, muito cansada. A correria não passa, e não sei se é ela que eu quero que passe. O fato é que nem os jogos do Palmeiras tem me sustentado acordada, a qualquer hora do dia. Tenho prazos pra cumprir. Metas pra atingir. Também tenho que aprender a operar milagres, ou a aceitar uma futura úlcera. Sou confusa, oblíqua e tensa. Minha agenda está cheia, meu sono está curto e  minhas preocupações não se mensuram. Não posso reclamar, tenho umas boas companhias e noites que são lindas. Mas sou só eu, só uma. 



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Preciosa, impossível não sentir.



AOS ESFARRAPADOS DO MUNDO
E AOS QUE NELES SE
DESCOBREM E, ASSIM
DESCOBRINDO-SE, COM ELES
SOFREM, MAS, SOBRETUDO, 
COM ELES LUTAM.
Paulo Freire.

Falar de "Preciosa" é difícil, sentir "Preciosa" é pior ainda. Uma negra, gorda, analfabeta, abusada, maltratada, com dois filhos e nenhuma perspectiva. O amontoado de clichês nos fazem obter a altura necessária para saltar o muro do senso comum. O mergulho na realidade da triste Clareece, é um mergulho para dentro de nossos próprios monstros. Muito mais complexo do que a tela plana do cinema permite, o filme escarra toda a violência à qual Clareece está sujeita. Não há saídas, não existem becos em que possa se esconder. A única fuga possível é encontrar-se. É  perceber-se dentro de um mundo em que não há espaço para ser ou sentir, descobrir-se numa escola alternativa para alunos problemáticos no Harlem. Em busca de tudo e qualquer coisa, a presença da professora Rain se dá como um suspiro, aquela primeira bolha de ar que sai da garganta depois de muito tempo sem respirar. A cada palavra ensinada, a cada letra aprendida, a consciência de que as grandes jornadas começam com passos curtos. Aos poucos, Clareece aprende a determinar os limites para sua própria dor. O sofrimento de quem sabe e vê, de quem não é mais um cachorro cego vagando pelas ruas, confundindo chutes com carinho. A professora Rain foi um ponto de luz para Clareece, Clareece não foi uma escolha para  a professora Rain."Preciosa" é um filme sobre a esperança dos que não podem esperar, sobre como mãos se apoiam e se levantam, sobre a dificuldade de se parir o amor.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Querido Professor,



Eu me formei, não sei nem mensurar a quantidade de tempo que isso levou pra acontecer, e menos ainda o quanto eu suspeitava que isso nunca ia acontecer, de verdade. Eu já desisti umas quatro milhões de vezes da faculdade, cada vez por um motivo diferente, mas os mais freqüentes se encaixavam na minha total percepção sobre mim mesma, e na relutância em aceitar a angústia que vivia dentro do meu peito. Mas eu consegui, e foi aquela coisa que nem parar de fumar, um dia você resolve e pronto.
Eu nunca vou me esquecer de umas das minhas primeiras tentativas de desistir de tudo, quando um dos meus professores mais queridos me disse seriamente: você não devia fazer isso, vai ser a maior burrada. Talvez porque eu o considerasse muito, talvez porque foi um susto perceber que justo ele não em apoiaria - ou como hoje eu vejo com mais clareza, talvez ele tenha sido o único a não ter sido convencido. Aquela fala, no meio da aula, sem muita conversa foi fatal para que a minha certeza se dissolvesse em dúvida. E todas as pedras que eu tive que ultrapassar depois, não vem ao caso agora. A verdade é que no fundo eu sempre tive aquela fala martelando na minha cabeça, e hoje tudo parece fazer muito sentido.
Não que eu, com meus reles 22 anos, possa dizer que sou bem sucedida, mas posso dizer, com toda a certeza do mundo, que eu sou uma pessoa feliz.
E eu vou fazer outra faculdade, nem porque eu goste tanto de estudar, mas pra ter a certeza de dar o melhor pros meus alunos.
E como eu aprendi com o tempo, professor a gente não agradece, agente cresce.
Eu cresci, e estou me tornando eu, com um pouquinho de você, porque eu finalmente me vi.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

um pedaço.

Tinha os cabelos desbotados amarrados num coque malfeito, no alto da cabeça. As unhas, com um vermelho descascado, batucavam insistentemente sobre a mesa da recepção. Olhou o relógio, estava esperando há 15 minutos, eu vou embora, deve ser sinal isso. Dessa vez ela resolveu acreditar no acaso, na mancha de intuição que parecia emergir do seu peito. O que ela chamava de intuição, eu chamo de medo. Quando ela virou as costas e colocou o pé na rua, eu não sei, droga, e agora, o que eu faço? Sem paredes em que pudesse se esconder, ela se sentiu perdida. Eu sou fraca, burra e fraca, pior, sou burra, fraca e sem paciência, aliás, o que que me fez pensar que eu podia me dar ao luxo de não ter paciência? E agora? Pra onde eu vou, o que que eu faço, meu Deus!? Ela sentou na calçada e ensopou seus tênis velhos na poça d'agua. Quando começou a sentir a lama infiltrando entre seus dedos, teve a sensação de que ia se liquefazer.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Eu to tão irritada, mas tão irritada, que eu não consigo escrever nada decente. Não devia ter saído da cama, aliás, eu deveria ser uma pessoa COM SONO, e não um relógio que depois de 8 horas de sono se levanta. Acho que ano que vem vou pedir pro Papai Noel me dar sono. Talvez eu me tornasse uma pessoa mais calma.

'll, Cd novo do Móveis é muito bom.
Pra quem quiser, pega aqui ó:

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Me.

Eu passo horas procurando pelo que escrever. Me faz falta, me falta. Como se houvesse um espaço enorme a ser preenchido, e que eu sempre acabo deixando pra amanhã. E aí eu deixei todos os livros que eu tenho que ler em cima da cama, ainda que de vez em quando eles me olhem ameaçadores, eu resisto e estou aqui tentando encontrar, dia após dia, uma flor nascendo em mim.
Encontro num papel quase jogado fora uma frase: queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que escrevi. Se não tivesse assinatura, eu teria cometido um crime. Passei anos buscando o amor através das letras, das frases bem colocadas, dos pontos exatos. Nada nunca aconteceu. Conquistei amigos, e até alguns admiradores com as palavras que chamei de minhas, mas nunca, nenhuma vez, as pessoas que amei sequer leram o que escrevi. Posso dizer que me angustia menos, uma vez que é impossível lutar contra a espontaneidade. Também não tenho mais a fúria romântica instaurada no peito, e talvez, nem tenha certeza se tenho remetente direto. Muitas vezes, penso que aqui está o que há de mais profundo em mim, e como num baú de segredos, aqui fosse o lugar da revelação.
Ledo engano, sou apenas rascunho. Aqui estão apenas os primeiros grifos e rabiscos. Aquilo que pontuo como relativo. Minha sem-vergonhice. Aqui está tudo aquilo que não combina com a minha seriedade cotidiana.

Thanks.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um ano quase verde.

"É o quase que me incomoda,

Que me entristece,

Que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi."

Veríssimo.



Ano vai, ano vem e o meu querido, amado e idolatrado Palmeiras continua na fila.



Ano passado foi um ano difícil, de altos muito altos, e baixos suficientemente baixos para destruir os ânimos. Melhor ainda, foi o ano do QUASE.

No início, foi o Paulista, mas não doeu tanto, ainda tínhamos a - desculpa da - Libertadores. A classificação sofrida no brilhantismo de CLEITON XAVIER, a segunda santificação de MARCOS ( Aliás, aqui paira uma dúvida: depois de santo, o cara vira o que? Deus?) contra o Sport pra, ah, é, veja bem, como diria nosso nem tão querido assim, LUXEMBURGO, o time estava QUASE pronto, por isso não ganhou. Mas tudo bem, a diretoria - da qual, quero deixar mais que claro, só tenho do que me orgulhar - reformulou, e usando o melhor critério possível: não é palmeirense? FORA. Sai Keirrison, sai Luxemburgo. Queríamos Muricy, não deu. Jorginho surpreendeu. FICA JORGINHO, uma unanimidade se fez, mas mesmo assim não foi possível afugentar o medo de se ser leviano ou irresponsável: AH!É MURICY. O mestre dos brasileiros, indiscutivelmente o melhor veio, cheio declarações apaixonadas, a final, no Palmeiras só palmeirenses. Pediu um craque, mesmo para o mais otimista, VAGNER LOVE era um sonho distante. Mas o sonho verde e branco era grande, e conseguiu trazer o atacante do amor. O campeonato estava QUASE ganho. DIEGO SOUZA e CLEITON XAVIER na seleção foi a consagração, time QUASE campeão aclamava a imprensa brasileira. Bom pra quem comemorou.

Eu, sempre receosa, depois daquela virada histórica de 4x3 do Vasco na final da Mercosul de 2000, eu não me deixei levar pelo quase. Meu coração se apertava, e eu comentava com os amigos, acho que esse ano dá, acho que vai. Peguei estatísticas, tabelas, fiz contas e mais contas. Ainda não havíamos ganho. A cada jogo eu gritava, desesperada por ver de novo um campeonato se esvair pelos meus dedos. E claro, como uma sina, um karma, o quase se colocou como um troféu de incapacidade na tela da minha televisão.

Eu não sei de quem foi a culpa. Eu não quero saber. Eu acredito em finais felizes. E meu coração estará a disposição sempre, verde que te quero verde.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

São onze e vinte e eu devia tomar banho pra ir pro trabalho, mas eu vou ficar aqui mais um pouco.


é lindo, é vasto.


Agora já são quinze para meio dia.
me vou.