terça-feira, 23 de dezembro de 2008

tosse

eu nunca gostei de natais e amanhã vou passar pelo 21°.
é, as coisas não são sempre como queremos que elas sejam.
coação palpita, os olhos fecham, e não tenho muito o que dizer - ou quase nada.
triste e solitária, a mulher à espera de um homem.
aquela que olha a prateleira cheia de livros, mas que a vontade se perde ao levantar os braços.
muitas idéias na cabeça e pouco tijolo, concreto, cimento.
pouca tinta colorida também, papel de carta, lápis de cera.
música só o que o ouvido pede, esqueci do coração.
sinto e pressinto, mas minto.
incontínua, fragmentos empilhados na corda bamba.
a lona que proteje da chuva, o público que aplaude.
mas parece que tudo sumiu.
escuro e frio, o quarto está.
fecho os olhos e persisto na capacidade de sonhar.
me proteger por essa noite.
amém.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

respiração

tristeza, angústia e dor. ela nao sabia como se transfudar. porque nesse momento só transfundações seriam eficazes. e dói, você não imagina o quanto - ou seria como ? - dói. dilacera e amedronta, ou dilacera porque amedronta ? só sei que é pronfunda, funda. ácida, ardida, aguda. os dentes rangem até a espinha tremer. e ela sente frio, muito frio. e medo, muito medo de mostrar quem ela é de fato. ou quem ela pensa que é. ou quem ela quer ser. a verdade é que ela tem medo dessa dor que insiste e sente. medo por ser exagerada demais, por ser latente demais e assustadora demais. ela queria dormir, enconstar a cabeça no travesseiro e ter a certeza de um abraço quente. nada de dor ou inseguranças, nada de pesadelos com outras, nada de ansiedade. ela queria era se sentir segura, estando ou não de fato, mas queria se sentir. acreditar em Deus. rezar e crer na fé que ultrapassa fronteiras. mas aí ela precisava ser outra, ser o que não era e o que desejava ser. mas não era possível, o que ela era era dor, escarro e desespero. e não adiantava ninguém tentar provar o contrário, não adiantava ninguém querer encontrar soluções mágicas, ou reais e concretas. ela não tinha solução. e o mais importante, não queria ter. você teria que amá-la assim, estreita e vertical, latente e dolorida. uma ferida aberta, sangrando, que grita e bate o pé. ela era mimada, e você teria que amar essa menina mimada. mimada e irritante, cheia de defeitos sem nenhum lirismo. o escarro do escarro, sem poesia. carne que sangra e contamina. era isso que estava à sua disposição.

ou ainda está.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Um guardanapo de papel

Inútil e incapaz, ela firmava a ponta do lápis sobre o guardanapo e nada saía. Óbvio que não. Lápis não tem sentimentos, pensou. Muitos menos guardanapos de papel, e riu. Talvez os de pano tivessem, eles são reutilizados, e não amassados e jogados no lixo. Então a vida se mediria pela possibilidade de passar pelas situações sem ser amassada e jogada fora? Então tudo se basearia na sorte em ter nascido de pano ou não? Os olhos baixaram, não tinha mais idade pra pensar esse tipo de bobagem, e agora, muito menos falar. Mas também não tinha mais com quem falar, de nada adiantava muito se lamentar por pensar o que não deveria. Se sentia profundamente triste, em alguma parte da sua vida tinha realmente acreditado que seria capaz de abraçar o mundo, e agora? O mundo parecia tão maior do que ela tinha imaginado. E parecia impossível duas pessoas abraçarem a mesma coisa ao mesmo tempo. Afinal, era a lei da física, ou algo parecido. Talvez algo parecido seja a melhor definição, ela se sentia no estágio do "algo parecido". Que era pior que o quase, afinal, já estava pronto e estabelecido, apenas não era satisfatório. Tinha atingindo algum nível, mas não sabia qual. Suspeitava que não faria muita diferença descobrir. Tinha se perdido no tempo, e não tinha certeza onde poderia se encontrar. Perdeu todas as cartas que tinha na manga, depois de um tempo a gente se sente vazio e sem vida, pensou alto. Resolveu anotar, mas esqueceu em seguida. Tomou mais um gole, e engoliu as lágrimas. Assim como a ensinaram quando criança, e ela nunca concordou. Mas dessa vez era diferente, ela não podia deixar escapar o que ainda restava de si, dentro de si. Guardou o lápis no bolso e amassou o guardanapo. Arremessou bem longe e ele caiu logo em seguida com o peso da chuva. se desfez, enquanto escorregava pelo bueiro. Inútil e incapacitada, derretida entre as gotas de chuva. Se levantou e sorriu, perdida para sempre. Até o próximo arco-íris.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"a esperança dança
na corda bamba
de sombrinha"


faço dela, as minhas.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

eu ainda estou lá
jogada na grama
pernas esticadas
uma cerveja
duas
música ou som
rima ou dom
cadê?
vontade de
eu nem sei mais qual hiato me faz
completa
incompleta na ânsia clariciana
naquela que não li
aquilo que não vi
vivi
estou
estancada na grama e as pessoas passam
e eu não escrevo
eu só penso
e nem quero
sem pretensões ou expectativas
sou o que sou
e só


e não sei mais fazer prosa
nao me adequo
e nao exprimo
expreme
me expreme
até eu sair de mim