Faz tempo que eu não escrevo, a não ser os trabalhos da faculdade. Mas tenho que admitir que eles foram bem mal-feitos, ou pelo menos não feitos com tanto esmero, nem na rua dos bobos, nem no zero. Ai, meu deus, preciso parar com as piadas infames, urgentemente. Eu sempre me sinto mais idiota que o normal depois que elas, involutariamente, saltam da minha boca. Well, estoy bien, se que. Bom, não vou continuar com as chorumelas porque afinal, eu sei quem se importa.
Eu lembro quando eu tinha uns 16 anos e me apaixonei pela primeira vez. Na verdade eu fui descobrir quase com 18 que eu estava apaixonada, e claro, eu fui a última a saber. Essa é uma das trági-cômicas histórias da minha vida. Aos 16 eu sofria de amores, e de ódio também, porque nessa altura da vida, eu estava muito mais empenhada em ser diferente "daquele bando de adolescentes fúteis", do que a olhar pros lados. O tempo foi passando, e eu dividia meu tempo entre brigar com o coitado do garoto e pensar no que eu falaria quando ele me ligasse a noite. E eu não entendia nenhum daqueles telefonemas, começavam com o caderno que ele - sempre - esquecia e terminavam sempre com algo do tipo, e que música você mais gosta?. Mas claro, a parte que eu mais gostava era a de brigar, e eu me empenhava fortemente nisso. Até que, claro, alguma coisa saiu do meu controle, e quando eu percebi, tínhamos virado inimigos mortais. Os telefonemas sumiram, mas as brigas aumentaram numa velocidade desproporcional. Conseguíamos constranger a todos, como se fosse uma competição de quem ofendia mais. Até que um dia ele arranjou uma namorada e sumiu. Eu, na minha santa ignorância, camuflei a tristeza e acreditei que tinha ganhado a briga, a final aquilo tudo devia ser uma briga, só.
Mas o tempo passou, e bem no meio das provas, quando eu ia pra escola de calça jeans, chinelo e moleton, sem a mínima preocupação com a aparência. Até que ele apareceu na minha frente, e eu achando que era engano, a final, nós não éramos inimogs mortais? Até que ele disse que ia embora, os pais iam se mudar, e ele queria pedir desculpas. Eu não entendi e ele me explicou, me contou de toda a história de amor que não aconteceu - e que no caso nunca aconteceria, e eu dei um sorriso, um abraço e um beijo. Fui embora, não aceitei o convite pra festa de despedida, nem esperei ele me dizer pra ir embora. Eu saí correndo até a praia, até me sentir segura, e chorei, chorei como nunca havia chorado em toda uma vida. E eu aprendi minha primeira lição sobre o amor, que ele existe independente da nossa vontade, e que sabe-lo ou não, só da nome ao sofrimento.