eu nunca gostei de natais e amanhã vou passar pelo 21°.
é, as coisas não são sempre como queremos que elas sejam.
coação palpita, os olhos fecham, e não tenho muito o que dizer - ou quase nada.
triste e solitária, a mulher à espera de um homem.
aquela que olha a prateleira cheia de livros, mas que a vontade se perde ao levantar os braços.
muitas idéias na cabeça e pouco tijolo, concreto, cimento.
pouca tinta colorida também, papel de carta, lápis de cera.
música só o que o ouvido pede, esqueci do coração.
sinto e pressinto, mas minto.
incontínua, fragmentos empilhados na corda bamba.
a lona que proteje da chuva, o público que aplaude.
mas parece que tudo sumiu.
escuro e frio, o quarto está.
fecho os olhos e persisto na capacidade de sonhar.
me proteger por essa noite.
amém.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
respiração
tristeza, angústia e dor. ela nao sabia como se transfudar. porque nesse momento só transfundações seriam eficazes. e dói, você não imagina o quanto - ou seria como ? - dói. dilacera e amedronta, ou dilacera porque amedronta ? só sei que é pronfunda, funda. ácida, ardida, aguda. os dentes rangem até a espinha tremer. e ela sente frio, muito frio. e medo, muito medo de mostrar quem ela é de fato. ou quem ela pensa que é. ou quem ela quer ser. a verdade é que ela tem medo dessa dor que insiste e sente. medo por ser exagerada demais, por ser latente demais e assustadora demais. ela queria dormir, enconstar a cabeça no travesseiro e ter a certeza de um abraço quente. nada de dor ou inseguranças, nada de pesadelos com outras, nada de ansiedade. ela queria era se sentir segura, estando ou não de fato, mas queria se sentir. acreditar em Deus. rezar e crer na fé que ultrapassa fronteiras. mas aí ela precisava ser outra, ser o que não era e o que desejava ser. mas não era possível, o que ela era era dor, escarro e desespero. e não adiantava ninguém tentar provar o contrário, não adiantava ninguém querer encontrar soluções mágicas, ou reais e concretas. ela não tinha solução. e o mais importante, não queria ter. você teria que amá-la assim, estreita e vertical, latente e dolorida. uma ferida aberta, sangrando, que grita e bate o pé. ela era mimada, e você teria que amar essa menina mimada. mimada e irritante, cheia de defeitos sem nenhum lirismo. o escarro do escarro, sem poesia. carne que sangra e contamina. era isso que estava à sua disposição.
ou ainda está.
ou ainda está.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Um guardanapo de papel
Inútil e incapaz, ela firmava a ponta do lápis sobre o guardanapo e nada saía. Óbvio que não. Lápis não tem sentimentos, pensou. Muitos menos guardanapos de papel, e riu. Talvez os de pano tivessem, eles são reutilizados, e não amassados e jogados no lixo. Então a vida se mediria pela possibilidade de passar pelas situações sem ser amassada e jogada fora? Então tudo se basearia na sorte em ter nascido de pano ou não? Os olhos baixaram, não tinha mais idade pra pensar esse tipo de bobagem, e agora, muito menos falar. Mas também não tinha mais com quem falar, de nada adiantava muito se lamentar por pensar o que não deveria. Se sentia profundamente triste, em alguma parte da sua vida tinha realmente acreditado que seria capaz de abraçar o mundo, e agora? O mundo parecia tão maior do que ela tinha imaginado. E parecia impossível duas pessoas abraçarem a mesma coisa ao mesmo tempo. Afinal, era a lei da física, ou algo parecido. Talvez algo parecido seja a melhor definição, ela se sentia no estágio do "algo parecido". Que era pior que o quase, afinal, já estava pronto e estabelecido, apenas não era satisfatório. Tinha atingindo algum nível, mas não sabia qual. Suspeitava que não faria muita diferença descobrir. Tinha se perdido no tempo, e não tinha certeza onde poderia se encontrar. Perdeu todas as cartas que tinha na manga, depois de um tempo a gente se sente vazio e sem vida, pensou alto. Resolveu anotar, mas esqueceu em seguida. Tomou mais um gole, e engoliu as lágrimas. Assim como a ensinaram quando criança, e ela nunca concordou. Mas dessa vez era diferente, ela não podia deixar escapar o que ainda restava de si, dentro de si. Guardou o lápis no bolso e amassou o guardanapo. Arremessou bem longe e ele caiu logo em seguida com o peso da chuva. se desfez, enquanto escorregava pelo bueiro. Inútil e incapacitada, derretida entre as gotas de chuva. Se levantou e sorriu, perdida para sempre. Até o próximo arco-íris.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
eu ainda estou lá
jogada na grama
pernas esticadas
uma cerveja
duas
música ou som
rima ou dom
cadê?
vontade de
eu nem sei mais qual hiato me faz
completa
incompleta na ânsia clariciana
naquela que não li
aquilo que não vi
vivi
estou
estancada na grama e as pessoas passam
e eu não escrevo
eu só penso
e nem quero
sem pretensões ou expectativas
sou o que sou
e só
e não sei mais fazer prosa
nao me adequo
e nao exprimo
expreme
me expreme
até eu sair de mim
jogada na grama
pernas esticadas
uma cerveja
duas
música ou som
rima ou dom
cadê?
vontade de
eu nem sei mais qual hiato me faz
completa
incompleta na ânsia clariciana
naquela que não li
aquilo que não vi
vivi
estou
estancada na grama e as pessoas passam
e eu não escrevo
eu só penso
e nem quero
sem pretensões ou expectativas
sou o que sou
e só
e não sei mais fazer prosa
nao me adequo
e nao exprimo
expreme
me expreme
até eu sair de mim
domingo, 30 de novembro de 2008
eu não consigo descansar
durmo e acordo e tudo na mesma
o peito cheio de angústias
e (quase) ninguém entende
e eu continuo exagerada
mau-humor
sim, eu sou mau-humorada, egóista e especialmente chata quando quero.
mas isso é só de vez enquando.
80% das vezes eu sou muito legal, simpática, converso com todo mundo e não me incomodo em fazer os programas alheios.
só que essa semana tá extremamente difícil, entende ?
minha mãe sempre falava pra eu agir bem direitinho pra, quando eu precisasse, poder fazer umas bobagens que as pessoas iriam relevar, a final, isso não seria do meu perfil.
calma lá, essa frase ficou so much estranha, eu não to falando de falta de caráter nem de nada, mas de quando vc acha que por ter sido legal a maior parte do seu tempo, se vc for por 5 minutos chata, todo mundo vai entender.
doce engano.
ninguém entende, nem os outros nem eu. porque as nossas vontades são instantâneas, e não tem como mudar isso.
mas eu to tentando, quer dizer, na verdade eu to tentando me importar menos, num geral. parar com aquela coisa freudiana de querer encontrar motivo em cada respiração. aliás, eu tenho chegado à conclusão que o freud é o rei da insegurança. sinte e aceite, e pronto isso deve bastar. esse negócio de adivinhação travestida de ciência não tá com nada.
bom, eu vou parar por aqui. vou ver o sol que abriu a janela e esperar a minha companhia pro almoço, pra aliviar a dor e salvar o que ainda resta de mim nesses dias turbulentos.
durmo e acordo e tudo na mesma
o peito cheio de angústias
e (quase) ninguém entende
e eu continuo exagerada
mau-humor
sim, eu sou mau-humorada, egóista e especialmente chata quando quero.
mas isso é só de vez enquando.
80% das vezes eu sou muito legal, simpática, converso com todo mundo e não me incomodo em fazer os programas alheios.
só que essa semana tá extremamente difícil, entende ?
minha mãe sempre falava pra eu agir bem direitinho pra, quando eu precisasse, poder fazer umas bobagens que as pessoas iriam relevar, a final, isso não seria do meu perfil.
calma lá, essa frase ficou so much estranha, eu não to falando de falta de caráter nem de nada, mas de quando vc acha que por ter sido legal a maior parte do seu tempo, se vc for por 5 minutos chata, todo mundo vai entender.
doce engano.
ninguém entende, nem os outros nem eu. porque as nossas vontades são instantâneas, e não tem como mudar isso.
mas eu to tentando, quer dizer, na verdade eu to tentando me importar menos, num geral. parar com aquela coisa freudiana de querer encontrar motivo em cada respiração. aliás, eu tenho chegado à conclusão que o freud é o rei da insegurança. sinte e aceite, e pronto isso deve bastar. esse negócio de adivinhação travestida de ciência não tá com nada.
bom, eu vou parar por aqui. vou ver o sol que abriu a janela e esperar a minha companhia pro almoço, pra aliviar a dor e salvar o que ainda resta de mim nesses dias turbulentos.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
domingo, 23 de novembro de 2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
e agora? um ensaio!
Eu tenho que escrever um ensaio pra faculdade e não sei nem por começar. Logo eu, que passei 18, dos meus 21 anos ensaiando pra todo tipo de apresentação, não consigo sentar a bunda na cadeira e escrever a porcaria de um ensaio sobre Machado de Assis. Na verdade não é sobre Machado de Assis, mas sobre dois contos dele, “Cantiga de Esponsais” e “Um Homem Célebre”. Os dois contam tratam de talento e vocação, e principalmente, de não estar satisfeito com o que se é. A música, que não é só plano de fundo, mostra como o popular e o erudito no Brasil são conceitos muito, ou melhor, muitíssimos complicados de serem aplicados.
Tem um livro do Wisnik, que faz umas referências muito boas sobre alguns contos do Machado que usam a música como cenário. E eu leio, releio e tudo que eu penso não passam de meras paráfrases do que todo mundo já disse. Porque todo mundo já falou sobre Machado, porque todo mundo já falou sobre pessoas que não estão satisfeitas com o que são, sobre fama em oposição à realização pessoais, frustrações e dores. E aí, o que eu escrevo?
Tem um texto do Adorno sobre o gênero “ensaio”, e lá ele diz algo como escrever sobre o que te tocou, expor seus pensamentos sem se preocupar com forma ou conclusões, mas sentir o texto e externalizar esse sentimento. Tá, mas assim, tirando todas essas coisas que, se eu abordar não vão ser mais do que ecos ressoando tudo que todo mundo já disse nesses anos de existência, sobre o que eu posso falar?
Também não sei porque agora me veio esse tipo de preocupação, logo eu que nunca me incomodei em fazer um trabalho mal-feito. O problema todo é que eu sempre ensaiei, e ensaio pra mim era repetição, aperfeiçoamento da obra final. Vai, deixa eu rir. Eu vou aperfeiçoar o Candido? O Bosi? Não, muitíssimo obrigada. Eu acho é que vou tentar alguma coisinha mais sentimental, com um português bonito e tocante, algo que pegue no ponto firme de quem leia, e que resgate todos os meus anos de ensaio em que precisava encontrar um novo motivo todos os dias pra refazer e repensar tudo aquilo que meus pés pareciam já saber de cor.
Bom, agora eu vou parar com essa lenga-lenga e começar meu trabalho.
Beijotchauoutro.
Tem um livro do Wisnik, que faz umas referências muito boas sobre alguns contos do Machado que usam a música como cenário. E eu leio, releio e tudo que eu penso não passam de meras paráfrases do que todo mundo já disse. Porque todo mundo já falou sobre Machado, porque todo mundo já falou sobre pessoas que não estão satisfeitas com o que são, sobre fama em oposição à realização pessoais, frustrações e dores. E aí, o que eu escrevo?
Tem um texto do Adorno sobre o gênero “ensaio”, e lá ele diz algo como escrever sobre o que te tocou, expor seus pensamentos sem se preocupar com forma ou conclusões, mas sentir o texto e externalizar esse sentimento. Tá, mas assim, tirando todas essas coisas que, se eu abordar não vão ser mais do que ecos ressoando tudo que todo mundo já disse nesses anos de existência, sobre o que eu posso falar?
Também não sei porque agora me veio esse tipo de preocupação, logo eu que nunca me incomodei em fazer um trabalho mal-feito. O problema todo é que eu sempre ensaiei, e ensaio pra mim era repetição, aperfeiçoamento da obra final. Vai, deixa eu rir. Eu vou aperfeiçoar o Candido? O Bosi? Não, muitíssimo obrigada. Eu acho é que vou tentar alguma coisinha mais sentimental, com um português bonito e tocante, algo que pegue no ponto firme de quem leia, e que resgate todos os meus anos de ensaio em que precisava encontrar um novo motivo todos os dias pra refazer e repensar tudo aquilo que meus pés pareciam já saber de cor.
Bom, agora eu vou parar com essa lenga-lenga e começar meu trabalho.
Beijotchauoutro.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Voltei à postar no Barna, uma poesia sobre o riso, escrito em meio ao tédio de uma aula sobre o riso. Ohyeahbabe.YeahYeah.Yeah.
_________________________________________________________________
Cantiga
é o amor que vem e vai
eu você e ninguém mais
um versinho pobrezinho,
eu faço pravocê
meu amorzinho
tão pequeno
tão pequenininho
que nem cabe
todo o meu amor
mas um pedacinho
um pedacinho
uma fatia
daquilo que eu sinto
e que nunca sei dizer
e hoje vou tentar
traduzi-lo pra você
o meu coração é tão pequeno
mas é seu
os meus versos pobres
são tão pobres mas são seus
tudo que eu faço, sem medida
é só seu
em tudo que eu sou
tem também
pedaço seu
tanto que eu nem sei
quem que fez os versos meus
seus.
_________________________________________________________________
Cantiga
é o amor que vem e vai
eu você e ninguém mais
um versinho pobrezinho,
eu faço pravocê
meu amorzinho
tão pequeno
tão pequenininho
que nem cabe
todo o meu amor
mas um pedacinho
um pedacinho
uma fatia
daquilo que eu sinto
e que nunca sei dizer
e hoje vou tentar
traduzi-lo pra você
o meu coração é tão pequeno
mas é seu
os meus versos pobres
são tão pobres mas são seus
tudo que eu faço, sem medida
é só seu
em tudo que eu sou
tem também
pedaço seu
tanto que eu nem sei
quem que fez os versos meus
seus.
sábado, 15 de novembro de 2008
eu preciso acreditar que as coisas acontecem por algum motivo.
e essa foi pra abalar o meu quase-psicótico controle sobre tudo.
é, todos estamos propensos a falhar.
mesmo que você faça tudo direitinho, pode ser que aquela mínima porcentagem de tudo dar completamente errado se torne avassaladoramente real.
durmi com esse barulho.
e essa foi pra abalar o meu quase-psicótico controle sobre tudo.
é, todos estamos propensos a falhar.
mesmo que você faça tudo direitinho, pode ser que aquela mínima porcentagem de tudo dar completamente errado se torne avassaladoramente real.
durmi com esse barulho.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Braços que não alcançam as paredes.
A frase ao meio
o que diferencia o cheio do vazio
um ponto de exclamação
um grito no vácuo
palavras que se misturam
sentimento de cimento
mento minto mente
mente pensa, sente ?
concreto que é cinza
anilina, mas não pinta
como se eu tivesse tudo na mão
como se eu só não tivesse mão
comparo no desamparo
enlouqueço entristeço
só perco, me perco
labririnto do erro
medo do medo
é medo de sentir medo
diarréia: líquido do que se sente
alguns pedaços e tudo água
o fedor que impregna o pensamento
pensa que minto e tento
invejável a capacidade de não se ser
meu senti-mento
tenta grudar um tijolo no outro
sem expectativas
marrons como a bosta que sai do cu
realidade crua, nua
tudo que suja
só o que suja é válido
te move ou te transforma
só a lama perfura
só o mangue une.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
legitimidade
Ela é insuportável, foi o que ele disse dois dias depois, pra quarta garrafa de cerveja. Era a primeira vez que saia da cama, depois de terem estilhaçado todas as dores em pedaços inconsoláveis. Ele não fazia a puta idéia de onde ela estaria agora, você nunca fazia – latejava na parte mais funda do seu peito. Das paredes ainda escorria vinho, ou sangue. A transformação e multiplicação das dores, o coração explodindo, o amor vindo à tona no momento menos propício, como num milagre as avessas. Seus braços dançavam descoordenamente pelo vácuo do que havia restado do amor. Abriu os olhos e podia ver-se sendo sugado para aquilo que havia de mais íntimo dentro de si – espantosamente era ela. Como uma flor brotando na velocidade da luz, num flash-back dentro do seu peito. Ele podia ver e sentir. A dor rasgando o que havia de mais verticalizado em sua consciência. Dos seus poros escorriam a mentira do que tentara ser durante anos. A dor se alastrava e as palavras se tornavam zumbidos intermitentes, a grande orquestra do vazio. Não haviam feridas, ele presenciou seu genocídio interno. Como um ovo quebrado, nu e jogado entre as traças que ele nunca nem tinha reparado que estavam naquele canto da sala, não havia moralidade que lhe permitisse pedir perdão. Também não havia sentimento de culpa, mas um destroçamento total do homem que ele pensava que fosse. Ela pensava estar vingada, pensava que havia mostrado o que havia de mais sujo dentro dele.
domingo, 31 de agosto de 2008
Rascunho e Redundância
Lá vem você de novo me tirar a respiração
Me inspira e se retira, me faz ser prosa sem poesia.
Transforma meus versos em quadrinhas de pirraça.
Me deixa sem chão, eu sou açúcar e você limão.
Você é música e eu predisposição.
Pra tudo, qualquer coisa.
Eu sou o rato que perdeu a roupa do rei de roma
enquanto eu sinto, você é sintoma
enquanto eu fujo, você é o que soma
Você é o rato que não viu a roupa do rei de roma
enquanto você escuta, eu digo
somos umbigo e abrigo,
o que é de verdade e o que é postiço
O que derrete e não se esquece
O que tatua e diz
que eu sou só sua
me diz que quis
qualquer me quer
me mostra assim
que eu sou
a sua mulher.
Me inspira e se retira, me faz ser prosa sem poesia.
Transforma meus versos em quadrinhas de pirraça.
Me deixa sem chão, eu sou açúcar e você limão.
Você é música e eu predisposição.
Pra tudo, qualquer coisa.
Eu sou o rato que perdeu a roupa do rei de roma
enquanto eu sinto, você é sintoma
enquanto eu fujo, você é o que soma
Você é o rato que não viu a roupa do rei de roma
enquanto você escuta, eu digo
somos umbigo e abrigo,
o que é de verdade e o que é postiço
O que derrete e não se esquece
O que tatua e diz
que eu sou só sua
me diz que quis
qualquer me quer
me mostra assim
que eu sou
a sua mulher.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Imbróglio
eu faço poesia pra não ser literal
na prosa eu me escapo
me derreto e tudo acaba ficando banal
sentimento, lamento
escorre, me encolhe
e suja meus óculos
e faz com que eu feche os olhos quando o farol abre – só porque o sol está forte demais pra minha dor.
Vem pra cá, meu bem.
Me diz que você só quer ser meu bem
me faz dormir bem
me tira toda a angustia
me mostra
mostra que você gosta
não em deixa esperando
eu não vou mais esperar
se importa
não demora.
na prosa eu me escapo
me derreto e tudo acaba ficando banal
sentimento, lamento
escorre, me encolhe
e suja meus óculos
e faz com que eu feche os olhos quando o farol abre – só porque o sol está forte demais pra minha dor.
Vem pra cá, meu bem.
Me diz que você só quer ser meu bem
me faz dormir bem
me tira toda a angustia
me mostra
mostra que você gosta
não em deixa esperando
eu não vou mais esperar
se importa
não demora.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
domingo, 3 de agosto de 2008
Para a minha menina,
Aquela que parece nunca ir e sempre voltar - ou ao menos eu gosto de pensar que seja assim.
Pra você, as dedicatórias de todos os meus futuros livros. Pra que assim você não exiga dos outros - que nunca serão eu - aquilo que eu sempre pude te dar. Não peça mais do que ombros e mãos, para que enxuguem as suas lágrimas. Não fantasie, e não se deixe levar. Não vire uma dona de casa com três filhos chorões de um pai que vai te enojar.Não aceite ser menos do que você é, e não aceite que te tratem como eu.
Adeus meu pequeno grande amor,
Que você me trsnporte entre seus livros.
Eu pra sempre vou te amar, e, se um dia você mudar de idéia eu continuarei aqui - ou ali. A partir de hoje eu sou um homem a espera de uma mulher.
Ela fechou o livro, confusa não sabia mais o que tinha acontecido. Estava completamente perdida, a lembrança que parecia ter sido apagada como numa polaroid velha, a fez sentir um descolamento no peito, como se de si, tivesse sido arrancado um adesivo velho e ainda restasse a cola sujando o vidro. Ela encostou o dedo e ainda grudava. O amor seria sempre uma ameaça que volta e arranca as pessoas das cadeiras que cuidadosamente escolheram pra se sentar e ver o espetáculo sem serem incomodadas? Isso não aconteceria, não novamente. E ela já tinha achado outro livro bem esocondido na prateleira, esse sim, esse eu nunca vou ler, dobrou novamente o bilhete e o enfiou na penultima página.
Aquela que parece nunca ir e sempre voltar - ou ao menos eu gosto de pensar que seja assim.
Pra você, as dedicatórias de todos os meus futuros livros. Pra que assim você não exiga dos outros - que nunca serão eu - aquilo que eu sempre pude te dar. Não peça mais do que ombros e mãos, para que enxuguem as suas lágrimas. Não fantasie, e não se deixe levar. Não vire uma dona de casa com três filhos chorões de um pai que vai te enojar.Não aceite ser menos do que você é, e não aceite que te tratem como eu.
Adeus meu pequeno grande amor,
Que você me trsnporte entre seus livros.
Eu pra sempre vou te amar, e, se um dia você mudar de idéia eu continuarei aqui - ou ali. A partir de hoje eu sou um homem a espera de uma mulher.
Ela fechou o livro, confusa não sabia mais o que tinha acontecido. Estava completamente perdida, a lembrança que parecia ter sido apagada como numa polaroid velha, a fez sentir um descolamento no peito, como se de si, tivesse sido arrancado um adesivo velho e ainda restasse a cola sujando o vidro. Ela encostou o dedo e ainda grudava. O amor seria sempre uma ameaça que volta e arranca as pessoas das cadeiras que cuidadosamente escolheram pra se sentar e ver o espetáculo sem serem incomodadas? Isso não aconteceria, não novamente. E ela já tinha achado outro livro bem esocondido na prateleira, esse sim, esse eu nunca vou ler, dobrou novamente o bilhete e o enfiou na penultima página.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Considerações sobre o ciúme - parte I
É bem parecido com a angústia, mas em proporções mais raivosas.
Começa pequeno e se alastra por todos os poros do seu corpo e-pi-de-mi-ca-men-te.
É ruim, dói, e faz você ter todo o tipo de atitude que a sua mãe passou vinte anos te educando pra não ter.
Não é poesia, não é chuva, não tem graça, não tem cor.
O cíume se instaura.
O ciúme é inevitável.
Ele grita e corrói.
Estanca na certeza
se fecha na frieza
se perde no amor.
Quando tinha 9 anos: é quando alguém toca a campainha quando eu estou na sua casa.
É bem parecido com a angústia, mas em proporções mais raivosas.
Começa pequeno e se alastra por todos os poros do seu corpo e-pi-de-mi-ca-men-te.
É ruim, dói, e faz você ter todo o tipo de atitude que a sua mãe passou vinte anos te educando pra não ter.
Não é poesia, não é chuva, não tem graça, não tem cor.
O cíume se instaura.
O ciúme é inevitável.
Ele grita e corrói.
Estanca na certeza
se fecha na frieza
se perde no amor.
Quando tinha 9 anos: é quando alguém toca a campainha quando eu estou na sua casa.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
meu bem,
a dor
não tem
explicação.
não me pergunte como
como você rasga
assim
o meu coração
meu bem
assim
não dá,
não vai,
não saí.
a falta que você me faz
é demais.
eu só queria que você soubesse
o quanto essa distância me enlouquece
aqui do meu lado
longe de mim
o seu namorado
ou o carinha que você
tá a fim
(aonde eu me encaixo?)
me diz o que fazer agora
me diz como eu faço pra chegar lá fora
me ajuda
me tira daqui
sai de você e
vê se entra em mim
a dor
não tem
explicação.
não me pergunte como
como você rasga
assim
o meu coração
meu bem
assim
não dá,
não vai,
não saí.
a falta que você me faz
é demais.
eu só queria que você soubesse
o quanto essa distância me enlouquece
aqui do meu lado
longe de mim
o seu namorado
ou o carinha que você
tá a fim
(aonde eu me encaixo?)
me diz o que fazer agora
me diz como eu faço pra chegar lá fora
me ajuda
me tira daqui
sai de você e
vê se entra em mim
domingo, 20 de julho de 2008
Com sal, mas sem graça.
O coração parecia não afrouxar nunca, vivia em constante falta de ar. Onde você está? Um pé depois do outro, e tentava segurar a tontura, não queria que percebessem que estava prestes a se desfazer. Mas era sempre assim: o pulo sem impulso. E não saía do chão. Estava pregada às pedrinhas pretas e brancas que só podiam ser Copacabana enquanto a pilha do aparelinho de som funcionasse. E parecia que tudo estava prestes a se esgotar, e sentia que não podia mais viver de de repentes. E agora? Onde você está? Não podia com a efemeridade que a vida lhe prostrava. Não havia outra saída, não haviam mais saídas – isso, se algum dia elas houveram.
Estática: o equilíbrio da angústia.
Repetitiva.
Inconsolável.
Enquanto houvesse pilha, ela haveria. Esperando pelo fim das coisas e de si mesma. Pelo abandono, pela perda, por tudo que pudesse vir, assim, de repente.
Estática: o equilíbrio da angústia.
Repetitiva.
Inconsolável.
Enquanto houvesse pilha, ela haveria. Esperando pelo fim das coisas e de si mesma. Pelo abandono, pela perda, por tudo que pudesse vir, assim, de repente.
terça-feira, 15 de julho de 2008
segunda-feira, 14 de julho de 2008
As estranhas manifestações do amor. - Parte I
A busca quase incessante, o lugar visivelmente vago que não se deixou acostumar, nem durante o sono - o sonho se tornando real. A mão dormente, desbravando o ar, quase cega de sentidos, encontra o encontro. E nada se perde.
Constatações:
Guarde a poesia que se faz no vento.
Melhor:
Guarde a poesia que se faz, no vento.
Talvez:
Guarde a poesia, que se faz no vento.
Aquilo que se mistura com a chuva, que acalma o sol escaldante.
Que aloja a solidão na palavra que se desfaz em fumaça, na manhã fria onde não se havia nada o que dizer. E insistimos, porque o amor in-siste.
Guarde.
Constatações:
Guarde a poesia que se faz no vento.
Melhor:
Guarde a poesia que se faz, no vento.
Talvez:
Guarde a poesia, que se faz no vento.
Aquilo que se mistura com a chuva, que acalma o sol escaldante.
Que aloja a solidão na palavra que se desfaz em fumaça, na manhã fria onde não se havia nada o que dizer. E insistimos, porque o amor in-siste.
Guarde.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Eu passei a manhã inteira querendo dizer isso:
Se uma profissão pede vocação, amar exige. Não consideramos o amor com a mesma seriedade. Como a decisão de uma vida. Ele é relegado à casualidade e ao arranjo provisório da idade. Agora sim, atingi o ponto: acredito sinceramente que sou vocacionado a uma mulher. Todo homem é vocacionado a uma mulher, toda mulher vocacionada a um homem. Vocação é encontrar um grau inabalável de confiança que as frases dos dois não poderão mais ser editadas em separado. É nem se dar conta que está beijando ou falando, porque falar é beijar. Ao viver sabendo que ela existe, mesmo longe, o longe não será mais distante. A felicidade profissional começa na residência. Depois de residir.
http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/2008_07_01_archive.html
Se uma profissão pede vocação, amar exige. Não consideramos o amor com a mesma seriedade. Como a decisão de uma vida. Ele é relegado à casualidade e ao arranjo provisório da idade. Agora sim, atingi o ponto: acredito sinceramente que sou vocacionado a uma mulher. Todo homem é vocacionado a uma mulher, toda mulher vocacionada a um homem. Vocação é encontrar um grau inabalável de confiança que as frases dos dois não poderão mais ser editadas em separado. É nem se dar conta que está beijando ou falando, porque falar é beijar. Ao viver sabendo que ela existe, mesmo longe, o longe não será mais distante. A felicidade profissional começa na residência. Depois de residir.
http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/2008_07_01_archive.html
quarta-feira, 9 de julho de 2008
o antes e o depois
aquilo que muda
traz de volta
a diferença entre ser e estar
e o quanto é perigoso se perder
se confundir e transformar
ainda que o tarde seja cedo
e que cedo já seja agora
eu fecho os olhos e permaneço
não espero pela demora
eu cruzo as pernas, eu me esqueço
do que antes fui, outrora
sem saída, não me vejo
um espelho sem imagem
sou ensejo do desejo.
aquilo que muda
traz de volta
a diferença entre ser e estar
e o quanto é perigoso se perder
se confundir e transformar
ainda que o tarde seja cedo
e que cedo já seja agora
eu fecho os olhos e permaneço
não espero pela demora
eu cruzo as pernas, eu me esqueço
do que antes fui, outrora
sem saída, não me vejo
um espelho sem imagem
sou ensejo do desejo.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Eu não queria começar me apresentando, falando quem eu sou e todas aquelas baboseiras que ninguém está interessado. Mas eu acho muito estranho essas coisas da gente chegar e começar a falar, como se a gente fosse tão inteligente que não precisasse dar satisfação a ninguém. Mas essa é uma conversa muito complicada, cheia de poréns e excessões, acho que pra começar está bom assim:
poesia e prosa
na musica
rock'n'roll e bossa nova
nem o que está
nem o que fica
um lá sem dó
um si sem sol
tudo aquilo que precipita
poesia e prosa
na musica
rock'n'roll e bossa nova
nem o que está
nem o que fica
um lá sem dó
um si sem sol
tudo aquilo que precipita
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