Mariana tinha 6 anos e pintava sóis coloridos nas paisagens.
Quando fez 12, se decidiu pelo laranja, vermelho e amarelo.
Aos 15, achava que só amarelo bastava, e meio sol, nascendo no horizonte.
No aniversário de 20 anos, a folha estava em branco.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
entretrechos
Ele se sentia uma marionete, as cordas esticando letamente seus braços que não eram elásticos. Puxavam e repuxavam, e à essa altura já não sabia mais quem o segurava. Sua força motriz havia se dissipado, se sentia perdido à merce de quem fosse mais forte, e temia estar sempre sendo levado para onde não queria. Intuitivamente, sabia que sucumbia à forças que só o distanciavam daquilo que conhecia de si. Precisava romper suas amarras, mas tinha medo de não se sustentar sem elas. E se caísse, quem o seguraria ?
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Cansaço de mim
As metáforas já não tem mais sentido. Eu não consigo mais juntar uma palavra na outra. Tudo parece ter ficado muito tendencioso e pessoal. Um bloco de concreto cravado no peito, pulsando dentro do indizível. Cega de sentidos e atordoada de clichês, eu só enxergo aquilo que meus olhos alcançam.Fechada e cercada pela paisagem que se prostra à minha frentre, não sucumbo e não cedo, minha força é inutil ao tentar quebrar as amarras e ver além.
Só vejo limites, enclausurada dentro do meu próprio corpo, falhada na tentativa de transcendência. Entre rasgos e cortes simetricamente calculados eu sou aquele que, por não enxergar a reta de chegada, desiste antes da curva. A depressão travestida de conformismo.
and missed the most important thing you've ever tried to say
The day before the day - Dido
Só vejo limites, enclausurada dentro do meu próprio corpo, falhada na tentativa de transcendência. Entre rasgos e cortes simetricamente calculados eu sou aquele que, por não enxergar a reta de chegada, desiste antes da curva. A depressão travestida de conformismo.
and missed the most important thing you've ever tried to say
The day before the day - Dido
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Insegurança
Eu sou insegura, sempre fui, desde pequenininha. Sou cheia de dúvidas, cheia de desconfiança. Ninguém tira de mim a certeza de que absolutamente nada controla os sentimentos.
Eu lembro de uma vez que eu terminei um namoro e o dito cujo em questão me devolveu: - Mas você disse que nunca ia me abandonar. Que nós eramos pra sempre. Essa quase ameaça, caiu como uma bomba na minha cabeça. Todas as minhas conclusões e certezas sobre amor e seus derivados caíram por terra. Afinal, se eu era capaz de deixar de amar, porque o resto do mundo também não seria? Tá certo que a gente sempre usa a costumeira desculpa do aquilo-que-eu-sentia-não-era-amor.
Tudo bem, eu concordo que, muitas vezes, agente acaba se relacionando com as pessoas por outros motivos que não sejam o amor propriamente dito. E olha que não to falando dos motivos canalhas - dinheiro, empregos melhores, interesse, etc -, mas de você confundir amizade com amor, ou ainda de ter a certeza que vai sim, se apaixonar por aquele cara que está a fim de você há meses, só porque você se decepcionou demais e precisa de alguém que te ame, agora. Mas vai, não vamos mergulhar na hipocrisia, algumas vezes, você sente que de fato, amava aquela pessoa, mas de repente - não mais que de repente -, acabou. E aí tem todas aquelas histórias de términos de namoro. Quando se termina mal são as decepções, as mentiras, as traições. Quando se termina bem foi a rotina, a incompatibilidade de gênios, o acomodamento.
A verdade, e digo e planto aqui, como absoluta - como toda regra e sua excessão, obviamente, que todos, absolutamente todos os relacionamentos que portavam o amor dentro de si, acabaram pela falta de insegurança. Percebam que não falei excesso de segurança, como muitos repetem, mas sim uma falta, a falta daquilo que não é infalível.
Com o tempo, e o amor, porque agente só sente realmente protegido quando há amor, nós costumamos alçar o relacionamento ao posto dos romances-que-deram-certo. E não nos importamos mais se ele não liga na hora que combinou. Também você não fica aflita se ele vai achar que você está deslumbrante hoje. Afinal, isso não importa, vocês se amam, de qualquer jeito, feios, gordos, cansados depois de um dia inteiro de trabalho. Ele está tão inserido na sua vida que você, numa tentativa de exalar o amor, diz aos quatro ventos que não saberia mais viver sem ele. Mas nem passa pela sua cabeça que você esqueceu do mais importante.
Deixe seu coração se despedaçar novamente quando ele não ligar pra você na hora combinada. Saia mais cedo do trabalho, compre a pizza que ele mais gosta e pare o carro na frente da casa dele e hesite pelo menos uns 3 minutos, pensando se ele iria gostar da surpresa ou você estaria se intrometendo demais - como quando na primeira vez que você fez uam surpresa. Sinta seu coração disparar quando ele te chamar pra ir ao cinema, mesmo que vocês já tenham ido milhões de vezes ao cinema juntos, só pelo fato de que ele chamou você, pra ficar abraço durante duas horas, e depois dividir a cerveja, e os pensamentos. E quando ele te abraçar, feche os olhos, e tenha a certeza de que foi novamente a primeira vez, mas que pode acabar no próximo minuto. Sinta um frio na barriga a cada vez que se separarem, e no fundo, mesmo que você tenha a certeza de que vocês nunca vão deixar de se amar, sinta medo de perdê-lo, realmente.
Seja inseguro sempre, esqueça as garantias, corra todos os riscos. E ame hoje, como se fosse a última vez.
Eu lembro de uma vez que eu terminei um namoro e o dito cujo em questão me devolveu: - Mas você disse que nunca ia me abandonar. Que nós eramos pra sempre. Essa quase ameaça, caiu como uma bomba na minha cabeça. Todas as minhas conclusões e certezas sobre amor e seus derivados caíram por terra. Afinal, se eu era capaz de deixar de amar, porque o resto do mundo também não seria? Tá certo que a gente sempre usa a costumeira desculpa do aquilo-que-eu-sentia-não-era-amor.
Tudo bem, eu concordo que, muitas vezes, agente acaba se relacionando com as pessoas por outros motivos que não sejam o amor propriamente dito. E olha que não to falando dos motivos canalhas - dinheiro, empregos melhores, interesse, etc -, mas de você confundir amizade com amor, ou ainda de ter a certeza que vai sim, se apaixonar por aquele cara que está a fim de você há meses, só porque você se decepcionou demais e precisa de alguém que te ame, agora. Mas vai, não vamos mergulhar na hipocrisia, algumas vezes, você sente que de fato, amava aquela pessoa, mas de repente - não mais que de repente -, acabou. E aí tem todas aquelas histórias de términos de namoro. Quando se termina mal são as decepções, as mentiras, as traições. Quando se termina bem foi a rotina, a incompatibilidade de gênios, o acomodamento.
A verdade, e digo e planto aqui, como absoluta - como toda regra e sua excessão, obviamente, que todos, absolutamente todos os relacionamentos que portavam o amor dentro de si, acabaram pela falta de insegurança. Percebam que não falei excesso de segurança, como muitos repetem, mas sim uma falta, a falta daquilo que não é infalível.
Com o tempo, e o amor, porque agente só sente realmente protegido quando há amor, nós costumamos alçar o relacionamento ao posto dos romances-que-deram-certo. E não nos importamos mais se ele não liga na hora que combinou. Também você não fica aflita se ele vai achar que você está deslumbrante hoje. Afinal, isso não importa, vocês se amam, de qualquer jeito, feios, gordos, cansados depois de um dia inteiro de trabalho. Ele está tão inserido na sua vida que você, numa tentativa de exalar o amor, diz aos quatro ventos que não saberia mais viver sem ele. Mas nem passa pela sua cabeça que você esqueceu do mais importante.
Deixe seu coração se despedaçar novamente quando ele não ligar pra você na hora combinada. Saia mais cedo do trabalho, compre a pizza que ele mais gosta e pare o carro na frente da casa dele e hesite pelo menos uns 3 minutos, pensando se ele iria gostar da surpresa ou você estaria se intrometendo demais - como quando na primeira vez que você fez uam surpresa. Sinta seu coração disparar quando ele te chamar pra ir ao cinema, mesmo que vocês já tenham ido milhões de vezes ao cinema juntos, só pelo fato de que ele chamou você, pra ficar abraço durante duas horas, e depois dividir a cerveja, e os pensamentos. E quando ele te abraçar, feche os olhos, e tenha a certeza de que foi novamente a primeira vez, mas que pode acabar no próximo minuto. Sinta um frio na barriga a cada vez que se separarem, e no fundo, mesmo que você tenha a certeza de que vocês nunca vão deixar de se amar, sinta medo de perdê-lo, realmente.
Seja inseguro sempre, esqueça as garantias, corra todos os riscos. E ame hoje, como se fosse a última vez.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Suicídio
Pela primeira vez ela sentia nojo. Queria não sentir mais o cheiro da pele dele na sua. Sentia que seu corpo se condicionava pelo dele, nada mais era seu: os gestos, as palavras, até sua respiração era dele. Duvidava se ao menos seu sangue havia restado, imaculado.
Tomou diversos banhos, esfregou a pele até sangrar, e ainda conseguia sentir o odor dele exalando dos seus poros. Perfumes, cremes, desodorantes, nem a química mais forte surtia efeito.
Olhou em volta de si, estava sozinha, perdida em meio às meias esquecidas embaixo da cama, suspeitava. Tinha certeza de ter se perdido em algum momento anterior à ele mas, por mais que forçasse a memória, sentia que até seu passado ele havia levado para si. Não se lembrava de absolutamente nada que se antepusesse ao dia que se conheceram. Tinha se transformado num personagem, sem controle sobre suas ações, não se livraria do estigma nem do enredo aos quais estava predestinada.
A ausência de si mesma se contrastava com a plenitude dele em seu corpo. A falta de lucidez que acompanhava a dor, a fazia quase duvidar e cambalear entre a tênue linha que separa realidade e ilusão: sentia-se ele.
Olhou-se no espelho, continuava a ter seios e cabelos compridos. Tocou-se, e sentia as mãos dele sorvendo sua pele. Parecia que não havia saída, era uma condenação, um castigo.
E num espasmo teve a impressão de ter alcançado seu limite. Limite que por muito tempo almejou e convictamente buscava, travestido de felicidade. Desmaiada, caída em si, sentiu a profusão de pensamentos, e não conseguindo distinguir seus remetentes, enxergou a claridade queimando seu rosto, a felicidade a estava matando, lentamente.
Tomou diversos banhos, esfregou a pele até sangrar, e ainda conseguia sentir o odor dele exalando dos seus poros. Perfumes, cremes, desodorantes, nem a química mais forte surtia efeito.
Olhou em volta de si, estava sozinha, perdida em meio às meias esquecidas embaixo da cama, suspeitava. Tinha certeza de ter se perdido em algum momento anterior à ele mas, por mais que forçasse a memória, sentia que até seu passado ele havia levado para si. Não se lembrava de absolutamente nada que se antepusesse ao dia que se conheceram. Tinha se transformado num personagem, sem controle sobre suas ações, não se livraria do estigma nem do enredo aos quais estava predestinada.
A ausência de si mesma se contrastava com a plenitude dele em seu corpo. A falta de lucidez que acompanhava a dor, a fazia quase duvidar e cambalear entre a tênue linha que separa realidade e ilusão: sentia-se ele.
Olhou-se no espelho, continuava a ter seios e cabelos compridos. Tocou-se, e sentia as mãos dele sorvendo sua pele. Parecia que não havia saída, era uma condenação, um castigo.
E num espasmo teve a impressão de ter alcançado seu limite. Limite que por muito tempo almejou e convictamente buscava, travestido de felicidade. Desmaiada, caída em si, sentiu a profusão de pensamentos, e não conseguindo distinguir seus remetentes, enxergou a claridade queimando seu rosto, a felicidade a estava matando, lentamente.
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