domingo, 20 de fevereiro de 2011

um causo.

Eram vinteeumanos, que ela gostava de escrever tudo junto, com lápis grafite número 2. Ela queria que seus anos se esticassem, alcançassem o inatingível. Queria poder apagá-los, voltar a trás, desistir. Começar de novo, quem sabe? Quem sabe com quantos quem sabe ela tinha construído sua carcaça. Eram três tatuagens, três arrependimentos. A lembrança só tornava o passado mais presente, e o presente se multiplicava em vias sem luz, pra um futuro reduzido. Tinha tentado tanto, lutado tanto e o fim nunca chegava. Estafa, cansaço. Queria que a socorressem da grande dor de viver. Tinha cansado dos batons vermelhos, dos cigarros, das risadas altas. Cansado da cerveja, da vodka, do bar escuro, da noite vagando entre seus ouvidos. Tinha se esquecido do que era, de quem fosse ou tivesse sido. Suas unhas inquietas que tilintavam sob a mesa eram o único indício de sua total descompostura frente ao mundo. De resto, era bonita, grande e alegre. Pena que era só resto, seu tudo havia se perdido. A raspa do bolo, o farelo da bolacha, a espuma da cerveja. Tudo se misturava, crescia e q deixava confusa. Não separava seus anos pra não se perder mais ainda, pra que pelo menos eles, não escapassem de seus dedos.