terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Querido Professor,



Eu me formei, não sei nem mensurar a quantidade de tempo que isso levou pra acontecer, e menos ainda o quanto eu suspeitava que isso nunca ia acontecer, de verdade. Eu já desisti umas quatro milhões de vezes da faculdade, cada vez por um motivo diferente, mas os mais freqüentes se encaixavam na minha total percepção sobre mim mesma, e na relutância em aceitar a angústia que vivia dentro do meu peito. Mas eu consegui, e foi aquela coisa que nem parar de fumar, um dia você resolve e pronto.
Eu nunca vou me esquecer de umas das minhas primeiras tentativas de desistir de tudo, quando um dos meus professores mais queridos me disse seriamente: você não devia fazer isso, vai ser a maior burrada. Talvez porque eu o considerasse muito, talvez porque foi um susto perceber que justo ele não em apoiaria - ou como hoje eu vejo com mais clareza, talvez ele tenha sido o único a não ter sido convencido. Aquela fala, no meio da aula, sem muita conversa foi fatal para que a minha certeza se dissolvesse em dúvida. E todas as pedras que eu tive que ultrapassar depois, não vem ao caso agora. A verdade é que no fundo eu sempre tive aquela fala martelando na minha cabeça, e hoje tudo parece fazer muito sentido.
Não que eu, com meus reles 22 anos, possa dizer que sou bem sucedida, mas posso dizer, com toda a certeza do mundo, que eu sou uma pessoa feliz.
E eu vou fazer outra faculdade, nem porque eu goste tanto de estudar, mas pra ter a certeza de dar o melhor pros meus alunos.
E como eu aprendi com o tempo, professor a gente não agradece, agente cresce.
Eu cresci, e estou me tornando eu, com um pouquinho de você, porque eu finalmente me vi.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

um pedaço.

Tinha os cabelos desbotados amarrados num coque malfeito, no alto da cabeça. As unhas, com um vermelho descascado, batucavam insistentemente sobre a mesa da recepção. Olhou o relógio, estava esperando há 15 minutos, eu vou embora, deve ser sinal isso. Dessa vez ela resolveu acreditar no acaso, na mancha de intuição que parecia emergir do seu peito. O que ela chamava de intuição, eu chamo de medo. Quando ela virou as costas e colocou o pé na rua, eu não sei, droga, e agora, o que eu faço? Sem paredes em que pudesse se esconder, ela se sentiu perdida. Eu sou fraca, burra e fraca, pior, sou burra, fraca e sem paciência, aliás, o que que me fez pensar que eu podia me dar ao luxo de não ter paciência? E agora? Pra onde eu vou, o que que eu faço, meu Deus!? Ela sentou na calçada e ensopou seus tênis velhos na poça d'agua. Quando começou a sentir a lama infiltrando entre seus dedos, teve a sensação de que ia se liquefazer.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Eu to tão irritada, mas tão irritada, que eu não consigo escrever nada decente. Não devia ter saído da cama, aliás, eu deveria ser uma pessoa COM SONO, e não um relógio que depois de 8 horas de sono se levanta. Acho que ano que vem vou pedir pro Papai Noel me dar sono. Talvez eu me tornasse uma pessoa mais calma.

'll, Cd novo do Móveis é muito bom.
Pra quem quiser, pega aqui ó:

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Me.

Eu passo horas procurando pelo que escrever. Me faz falta, me falta. Como se houvesse um espaço enorme a ser preenchido, e que eu sempre acabo deixando pra amanhã. E aí eu deixei todos os livros que eu tenho que ler em cima da cama, ainda que de vez em quando eles me olhem ameaçadores, eu resisto e estou aqui tentando encontrar, dia após dia, uma flor nascendo em mim.
Encontro num papel quase jogado fora uma frase: queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que escrevi. Se não tivesse assinatura, eu teria cometido um crime. Passei anos buscando o amor através das letras, das frases bem colocadas, dos pontos exatos. Nada nunca aconteceu. Conquistei amigos, e até alguns admiradores com as palavras que chamei de minhas, mas nunca, nenhuma vez, as pessoas que amei sequer leram o que escrevi. Posso dizer que me angustia menos, uma vez que é impossível lutar contra a espontaneidade. Também não tenho mais a fúria romântica instaurada no peito, e talvez, nem tenha certeza se tenho remetente direto. Muitas vezes, penso que aqui está o que há de mais profundo em mim, e como num baú de segredos, aqui fosse o lugar da revelação.
Ledo engano, sou apenas rascunho. Aqui estão apenas os primeiros grifos e rabiscos. Aquilo que pontuo como relativo. Minha sem-vergonhice. Aqui está tudo aquilo que não combina com a minha seriedade cotidiana.

Thanks.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um ano quase verde.

"É o quase que me incomoda,

Que me entristece,

Que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi."

Veríssimo.



Ano vai, ano vem e o meu querido, amado e idolatrado Palmeiras continua na fila.



Ano passado foi um ano difícil, de altos muito altos, e baixos suficientemente baixos para destruir os ânimos. Melhor ainda, foi o ano do QUASE.

No início, foi o Paulista, mas não doeu tanto, ainda tínhamos a - desculpa da - Libertadores. A classificação sofrida no brilhantismo de CLEITON XAVIER, a segunda santificação de MARCOS ( Aliás, aqui paira uma dúvida: depois de santo, o cara vira o que? Deus?) contra o Sport pra, ah, é, veja bem, como diria nosso nem tão querido assim, LUXEMBURGO, o time estava QUASE pronto, por isso não ganhou. Mas tudo bem, a diretoria - da qual, quero deixar mais que claro, só tenho do que me orgulhar - reformulou, e usando o melhor critério possível: não é palmeirense? FORA. Sai Keirrison, sai Luxemburgo. Queríamos Muricy, não deu. Jorginho surpreendeu. FICA JORGINHO, uma unanimidade se fez, mas mesmo assim não foi possível afugentar o medo de se ser leviano ou irresponsável: AH!É MURICY. O mestre dos brasileiros, indiscutivelmente o melhor veio, cheio declarações apaixonadas, a final, no Palmeiras só palmeirenses. Pediu um craque, mesmo para o mais otimista, VAGNER LOVE era um sonho distante. Mas o sonho verde e branco era grande, e conseguiu trazer o atacante do amor. O campeonato estava QUASE ganho. DIEGO SOUZA e CLEITON XAVIER na seleção foi a consagração, time QUASE campeão aclamava a imprensa brasileira. Bom pra quem comemorou.

Eu, sempre receosa, depois daquela virada histórica de 4x3 do Vasco na final da Mercosul de 2000, eu não me deixei levar pelo quase. Meu coração se apertava, e eu comentava com os amigos, acho que esse ano dá, acho que vai. Peguei estatísticas, tabelas, fiz contas e mais contas. Ainda não havíamos ganho. A cada jogo eu gritava, desesperada por ver de novo um campeonato se esvair pelos meus dedos. E claro, como uma sina, um karma, o quase se colocou como um troféu de incapacidade na tela da minha televisão.

Eu não sei de quem foi a culpa. Eu não quero saber. Eu acredito em finais felizes. E meu coração estará a disposição sempre, verde que te quero verde.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

São onze e vinte e eu devia tomar banho pra ir pro trabalho, mas eu vou ficar aqui mais um pouco.


é lindo, é vasto.


Agora já são quinze para meio dia.
me vou.