terça-feira, 30 de junho de 2009

firmamento

de dor,
sem cor
de cor,
sem dó

avanlanche passa e prende
mas não rende
paraliza
incisa

um risco
apagado
não corre
e desata
como se a vida
não fosse mais que uma errata.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Considerações sobre o fim-de-semana

O cheiro de comida da cozinha só faz com que meu estômago doa mais. Parece que só o cheiro do bacon já consegue aumentar minha acidez. Aliás, engraçado isso, eu não sou uma pessoa ácida, apesar do meu estômago ser. Enfim, Michael morreu, o Luxemburgo saiu do Palmeiras e o McDonalds não fabrica mais o McDuplo. Notícias arrebatadoras pra um fim-de-semana curto demais.

Jackson morto, sim, ele era de verdade. Ele me lembra como é perigoso se perder dentro dos seus próprios limites. Eu choro a vida de Michael, eu sorrio aliviada com a notícia, ele se foi, ele parou de sofrer. Se houver outra forma de vida, que seja boa para ele. Meu coração não em permite escrever mais, as palavras nem tangem minha dor.

Luxemburgo
5 da manhã de sábado, a notícia: Luxemburgo fora do Palmeiras. Não foi especulação, saiu da boca do mesmo. E nunca foi tão bom acordar tão cedo num sábado.E meu sorriso se abriu, e minha esperança se renovou. Desde a segunda divisão, eu nunca o perdoei, e pelo visto, não perdoarei tão cedo. Que venha Muricy, que venha Abel Braga, que venha quem vier. Mas que venha com amor, e respeito por essa camisa tão vitoriosa. Que quem vier saiba da responsabilidade, e que ame esse time, acima de todas as coisas.

McDuplo
O sanduíche mais gostoso que essa porca capitalista adora comer. E os porcos capitalistas-mor do MC aboliram ele do cardápio! E sem aviso! Agora eu só vou pedir o McFlury com Ovomaltine do BOBs, e tenho dito.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Necessidades e Costumes

Eu preciso me acostumar com as lentes novas dos meus óculos. Com a minha miopia desproporcional, que quanto mais diminui, mais me atrapalha. Eu preciso me acostumar a ter paciência, calma e confiança. A espera sempre é longa, senão seria chegada. E eu gosto mais delas. Eu gosto das janelas da varanda se abrindo e as pessoas correndo pra fora de casa. Mas a minha casa é apartamento e as varandas dão pro céu, o chão acaba no ar que eu não sei pisar. Eu preciso me acostumar, lembrar que eu não tenho asas e que não posso sair por aí achando que todos também não tem.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A minha (falta de) história com Deus


Você acredita em Deus? Uma vez eu tava respondendo um questionário pra uma vaga de emprego e tinha essa questão. Eu pus que sim, óbvio, as boas pessoas devem acreditar em Deus. Mas hoje, pensando melhor, eu suspiro alto e digo com certa relutância e muita honestidade: eu não sei - e sinto minhas pernas tremerem ao anunciar isso, mesmo que seja só em pensamento.
A verdade é que eu sempre quis acreditar em Deus. Aos oito anos me sentia mal em não saber rezar um pai-nosso. Eu não fiz catecismo e o máximo de Igreja que tinha frequentado naquela época foi em um ou dois casamentos. Aí eu achei uma revista que falava sobre religião e decorei a oração. Aos poucos eu fui adicionando frases que escutava para implementar, como se isso suprisse de alguma maneira aquela minha primeira falha com Deus.
Um tempo depois eu roubei uma santa aqui de casa. Na verdade ela estava esquecida no escritório, e eu por alguma razão desconhecida, levei pro meu quarto e a tenho comigo até hoje - ainda que ela esteja sem rosto, porque insistem e derrubá-la no chão quando eu não estou por perto. E sim, eu até hoje não sei qual o nome dela. Ela é a minha santinha, é pra ela que eu peço em última estância. E dela não me desfaço, ainda que eu não acredite.
Pois é, e tenho uma santa sem cabeça em cima da cama e não sei se acredito em Deus. Isso quase não faz sentido. Mas continuemos. Depois de um tempo eu me encontrei dentro da Igreja da Consolação, pedindo pra que qualquer coisa desse um sentido pra minha vida. E fiz a estúpida promessa que nunca se faz com Deus - acreditemos nele ou não. Nunca deve-se por Deus, ou deus, em cheque. Mas no alto da infelicidade dos meus 20 anos eu pus. E perdi, claro. E com isso, racionalmente se tornou quase impossível prever qualquer tipo de aproximação entre eu e Ele.
Eu ainda tentei algumas promessas, mas não encontro o botão de acionamento da fé no meu corpo. Não encontro um motivo para acreditar em Deus. Não encontro um motivo pra Deus acreditar em mim. Eu durmo todo dia antes de terminar meu pai-nosso-incrementado, talvez seja a minha falta de fé. Talvez seja Deus tentando me explicar que a fé está em outro lugar.

PS - Pra quem não percebeu, a santa com o rosto quebrado na imagem, é a minha.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Desabafo

Eu estou cansada dos discursos inflamados, pra não dizer dos ânimos. O maniqueísmo disfarçado de ideologia revolucionária não desce mais pela garganta. É preciso gritar.

Eu sou contra. Terminantemente contra. Acho que é uma luta pelos meios e motivos errados. Um passo pra fora da reta, ainda que não possamos falar em reta, num caso como esse. Eu explico, mais uma vez, de novo, e repetidamente a USP está em greve. Uma greve como as outras, talvez um pouco mais requintada, um pouco, um pouco só. Melhor, um pouco e só.

E quando digo um pouco, me refiro à entrada da PM no campus, e aos atritos com alunos, professores e funcionários. Isso me cansa. Quem estuda na USP está cansado de ver, ouvir e saber que um grupo que totaliza num máximo cinco mil pessoas - só de alunos, a USP conta com 80 mil -, sempre está correndo atrás das greves. Os alunos - e quando digo alunos, excluo todos aqueles filiados aos partidos políticos, porque, por exeperiência própria, creio que tem outros objetivos dentro desta universidade - quando favoráveis à greve, pedem por mais tempo para terminarem seus trabalhos de fim de semestre. Os funcionários pedem aumento, os professores, bem os professores são na maioria das vezes sufocados, e se tornam apáticos, lutando por causas que não são, a priori, suas.

Hoje, a PM virou bandido. Mais uma vez, os intelectuais mais conceituados do país- pelas suas próprias palavras -, voltam à ditadura, e estremecem de medo ao primeiro contato com a polícia. Parece que paramos no tempo. De um lado vemos professores acuados, lutando contra uma polícia que está posta no campus por ordem judicial para protegerem eles mesmos, e de outro, temos alunos afoitos que, por pensarem não fazer parte da história política do país, desejam uma polícia truculenta e imbecil, cuja função seria transformá-los em heróis.

Sinto dizer, mas hoje, não há mais espaço para heróis. O heróismo é luxo numa universidade que, aos poucos, se transforma em lixo. Não é preciso que haja revolução para que haja reforma. Para reformar é preciso material, planejamento e vontade. Mas eu me esqueci, eles buscam por uma restauração. Eles não sabem se adaptar. Eles são crianças mimadas que querem porque querem sem motivos justificáveis. Eles não querem o debate, eles são contra a maior e mais eficaz forma de democracia já inventada - até porque, a democracia das mãos levantadas é totalmente secreta e inviolável , não?

Eu sou contra essa greve, eu sou contra os preguiçosos que fazem greve. Contra todos aqueles que se deixam levar pelo mais convencional. Se queremos que essa universidade seja o que se diz dela, é preciso acalmar o passo e baixar o tom de voz. Para estudar, é preciso silêncio, para lutar também é preciso.