terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Vou colecionar mais um soneto
sábado, 26 de dezembro de 2009
tentativas, uma.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Meu primeiro amor
quarta-feira, 15 de julho de 2009
As nossas escolhas
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Santos

Meu coração aperta, e cada dia tem apertado mais. É saudade de casa.Saudade da areia derretendo os meus dedos dos pés, misturada com o mar, descendo pelo calcanhar até se perder pela rua, pelo piche do chão. Saudade do meu pôr-do-sol particular, de ver o sol desfalecer só pra mim, como um cobertor que me proteje na noite escura. Eu sinto falta do meu pé descalço queimando no asfalto. Às vezes eu penso que não nasci para a cidade grande, ainda que me encaixe perfeitamente nela. Me faz falta poder sair por aí, poder andar com meus próprios pés, receber a benção do mar todos os dias, e me sentir segura, perdidamente segura.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
meus restos de tempo
terça-feira, 30 de junho de 2009
firmamento
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Considerações sobre o fim-de-semana
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Necessidades e Costumes
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A minha (falta de) história com Deus
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Desabafo
segunda-feira, 25 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Ruídos
quinta-feira, 14 de maio de 2009
O tempo sempre passa.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
São Marcos do Palestra Itália
sexta-feira, 8 de maio de 2009
08-05-2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Uns versinhos sem melodia.
domingo, 3 de maio de 2009
Verde que te quero verde.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Não me deixa mais rasgar o coração assim.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Uma música, um amor
sexta-feira, 24 de abril de 2009
24-04-09
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Uma carta por tentativa. Um poema involuntário.
Gosto das letras,
Das palavras dispostas,
Mas e se não existissem nem as letras , nem as palavras?
Tenho que pensar no meu eu sem nada disso.
Vi o mar.
O vi como coisa real e imensa.
O mar tem um significado maior do que mar.
Ou eu que nunca soube do seu real significado?
Mas e que importância tem tudo isso?
Só sou o que sou graças ao mundo que vivo.
Se ele não existisse,
Eu também não estaria aqui?
Terei eu a mesma finalidade de um grão de areia?
Se tivesse nascido como grão , moraria na praia.
Como gente , penso que sou dona do mundo.
E se não houvesse mundo?
O obscuro ainda me atormenta.
Ainda mais sozinha.
Descobri que os apaixonados olham pro céu
E os amantes para o chão
E de que isto me serviu?
No momento parecia uma grande coisa
Mas nunca fui amante
Nunca me apaixonei
Contudo, já olhei pro céu e pro chão.
E daí?
Modernistas loucos e bem de vida.
Escritores presos , avessos ao mundo.
E daí?
A prostituição maior seria vender o que escrevo.
Mas tenho prazer em ser conhecida.
E daí?
Nunca me adaptaria ás regras impostas.
Mas fui oprimida por elas pela vida inteira
E hoje não mais sei quem era.
E por mais simplicidade que peça
Nunca levaria uma vida normal.
Sou gente por origem , e grão por consciência.
E isso que me dói.
Mas e daí?
-Ouço vozes irritadas no fundo da sala.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
vinte e dois.
espremo meu coração e o que é líquido se esvai.
não me alongo e não construo
permaneço enquanto o tempo cisma em passar
des-insisto no improvavável
me fixo no essencial
sentimento ao relento
me desfaço em vento.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
a poesia que eu fiz na sala de aula.
À Deanie Loomis,
Não sei de quem nem porque
Só sinto o que falo
Suponho o que sinto
A fragmentação se instaura:
Chocado lê, leio:
A poesia é o único universo onde a comunicação é plena
A cadeia alimentar dos sentidos
A transfiguração em grafite
(daquilo que não se transfunde, confunde, transforma)
Dependência:
Sozinha me vejo
Me encaminho e me perco
Cercada e perdida
A vida como se prostra em mim, se dá
Sem rimas
Da chuva que não cai
Para a face que não molha
Nada conflui
A seca se instaura e impulsiona
meu -próprio- ser
Arranho o papel
Um fluxo influenteafluente
Um rio que não cessa
Vazio.
terça-feira, 17 de março de 2009
Algumas palavras simbólicas sobre o sentir-se bem
segunda-feira, 2 de março de 2009
(re) FLEXÃO
você só vê chão
ele se move lentamente pra cima e pra baixo
de acordo com o que você consegue suportar de si mesmo
o seu peso
o mundo que você sustenta nos ombros
o mais perto que você conseguir chegar do chão
como quem toca a realidade
faz de você um homem forte
domingo, 1 de março de 2009
se
se você não se interessa
pra que eu vou falar
se você tem tanta pressa
se tudo que eu escrevo é pra você
se é na tentativa
de você me ler
quando você passa e vira a cara
se você nem olha e vira a página
se você não se interessa
se você tem tanta pressa
pra que eu vou escrever ?
de tudo que eu falo e me dedico
de cada coisa que eu me habilito
a conversão é sempre plena
ela nunca muda a cena
você passa e atravessa
e não há o que o impeça
se você tem tanta pressa
e também não se interessa
que trabalho eu devo ter?
me preocupar se você lê
declaração de amor
que é só pra você
e você mente que me vê
só pra não perder
o amor que eu sinto por você.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Anti-quadrinha
Quando fez 12, se decidiu pelo laranja, vermelho e amarelo.
Aos 15, achava que só amarelo bastava, e meio sol, nascendo no horizonte.
No aniversário de 20 anos, a folha estava em branco.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
entretrechos
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Cansaço de mim
Só vejo limites, enclausurada dentro do meu próprio corpo, falhada na tentativa de transcendência. Entre rasgos e cortes simetricamente calculados eu sou aquele que, por não enxergar a reta de chegada, desiste antes da curva. A depressão travestida de conformismo.
and missed the most important thing you've ever tried to say
The day before the day - Dido
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Insegurança
Eu lembro de uma vez que eu terminei um namoro e o dito cujo em questão me devolveu: - Mas você disse que nunca ia me abandonar. Que nós eramos pra sempre. Essa quase ameaça, caiu como uma bomba na minha cabeça. Todas as minhas conclusões e certezas sobre amor e seus derivados caíram por terra. Afinal, se eu era capaz de deixar de amar, porque o resto do mundo também não seria? Tá certo que a gente sempre usa a costumeira desculpa do aquilo-que-eu-sentia-não-era-amor.
Tudo bem, eu concordo que, muitas vezes, agente acaba se relacionando com as pessoas por outros motivos que não sejam o amor propriamente dito. E olha que não to falando dos motivos canalhas - dinheiro, empregos melhores, interesse, etc -, mas de você confundir amizade com amor, ou ainda de ter a certeza que vai sim, se apaixonar por aquele cara que está a fim de você há meses, só porque você se decepcionou demais e precisa de alguém que te ame, agora. Mas vai, não vamos mergulhar na hipocrisia, algumas vezes, você sente que de fato, amava aquela pessoa, mas de repente - não mais que de repente -, acabou. E aí tem todas aquelas histórias de términos de namoro. Quando se termina mal são as decepções, as mentiras, as traições. Quando se termina bem foi a rotina, a incompatibilidade de gênios, o acomodamento.
A verdade, e digo e planto aqui, como absoluta - como toda regra e sua excessão, obviamente, que todos, absolutamente todos os relacionamentos que portavam o amor dentro de si, acabaram pela falta de insegurança. Percebam que não falei excesso de segurança, como muitos repetem, mas sim uma falta, a falta daquilo que não é infalível.
Com o tempo, e o amor, porque agente só sente realmente protegido quando há amor, nós costumamos alçar o relacionamento ao posto dos romances-que-deram-certo. E não nos importamos mais se ele não liga na hora que combinou. Também você não fica aflita se ele vai achar que você está deslumbrante hoje. Afinal, isso não importa, vocês se amam, de qualquer jeito, feios, gordos, cansados depois de um dia inteiro de trabalho. Ele está tão inserido na sua vida que você, numa tentativa de exalar o amor, diz aos quatro ventos que não saberia mais viver sem ele. Mas nem passa pela sua cabeça que você esqueceu do mais importante.
Deixe seu coração se despedaçar novamente quando ele não ligar pra você na hora combinada. Saia mais cedo do trabalho, compre a pizza que ele mais gosta e pare o carro na frente da casa dele e hesite pelo menos uns 3 minutos, pensando se ele iria gostar da surpresa ou você estaria se intrometendo demais - como quando na primeira vez que você fez uam surpresa. Sinta seu coração disparar quando ele te chamar pra ir ao cinema, mesmo que vocês já tenham ido milhões de vezes ao cinema juntos, só pelo fato de que ele chamou você, pra ficar abraço durante duas horas, e depois dividir a cerveja, e os pensamentos. E quando ele te abraçar, feche os olhos, e tenha a certeza de que foi novamente a primeira vez, mas que pode acabar no próximo minuto. Sinta um frio na barriga a cada vez que se separarem, e no fundo, mesmo que você tenha a certeza de que vocês nunca vão deixar de se amar, sinta medo de perdê-lo, realmente.
Seja inseguro sempre, esqueça as garantias, corra todos os riscos. E ame hoje, como se fosse a última vez.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Suicídio
Tomou diversos banhos, esfregou a pele até sangrar, e ainda conseguia sentir o odor dele exalando dos seus poros. Perfumes, cremes, desodorantes, nem a química mais forte surtia efeito.
Olhou em volta de si, estava sozinha, perdida em meio às meias esquecidas embaixo da cama, suspeitava. Tinha certeza de ter se perdido em algum momento anterior à ele mas, por mais que forçasse a memória, sentia que até seu passado ele havia levado para si. Não se lembrava de absolutamente nada que se antepusesse ao dia que se conheceram. Tinha se transformado num personagem, sem controle sobre suas ações, não se livraria do estigma nem do enredo aos quais estava predestinada.
A ausência de si mesma se contrastava com a plenitude dele em seu corpo. A falta de lucidez que acompanhava a dor, a fazia quase duvidar e cambalear entre a tênue linha que separa realidade e ilusão: sentia-se ele.
Olhou-se no espelho, continuava a ter seios e cabelos compridos. Tocou-se, e sentia as mãos dele sorvendo sua pele. Parecia que não havia saída, era uma condenação, um castigo.
E num espasmo teve a impressão de ter alcançado seu limite. Limite que por muito tempo almejou e convictamente buscava, travestido de felicidade. Desmaiada, caída em si, sentiu a profusão de pensamentos, e não conseguindo distinguir seus remetentes, enxergou a claridade queimando seu rosto, a felicidade a estava matando, lentamente.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
A grande metáfora sobre a vida ou Como a gente se engana fácil
"Qual é o ponto de partida da vocação de escritor?(...)crítica à vida como ela é e ao mundo real, bem como seu desejo de substituí-los por outros, fabricados por sua imaginação e desejos."
Mario Vargas Lhosa
Estou parada o observando. É o terceiro dia que ele está lá: cabelos mais bracos que grisalhos, um notebook, um livro, um bloco de papel e uma caneta; e depois de escrever freneticamente, lê, apaga e, escreve novamente. Assim durante os três dias que senta na mesa do lado. Faz sol, calor e a paisagem é paradisíaca. Todos estão na água, rindo e se divertindo, tal qual um comercial de televisão. Mas ele está lá, de roupas, sério e carrancudo, mau-humorado e, que esta altura já tinha virado rotina, escrevendo.
- Ele é escritor, eu tenho certeza.
- O Rubem Braga já morreu?
- Não, é aquele cara que eu não lembro o nome, o Rui-não-sei-que-lá, eu tenho certeza.
E assim a conversa se disseminava pelos cantos. De fato, aquela situação era curiosa, e tinha toda uma áura de mistério. Tentava à todo custo descobrir sobre o que ele escrevia, mas não tinha sucesso nenhum. Enquanto nosso pseudo-escritor saía pra ir ao banheiro - sim, porque só pra isso ele largava sua árdua tarefa-, sorrateiramente estiquei meus olhos numa dimensão tão absurda que eles pareciam que se descolariam da minha retina nos próximos segundos, e vi algo escrito. Um espreguiço, jogo a toalha no chão, e quando me levanto, leio em letras de criança: "Papai, eu te amo." Mas a decepção foi logo substituída pela sensação de que, se ele escondia o que escrevia, era porque devia ser importante, famoso, reconhecido, e só eu, na minha santa ignorância não sabia quem era.
Me enfiei na única livraria da praia, e livro por livro, autor por autor, foto por foto, descobri uns três escritores que poderiam ser ele. Mas um foi descartado, era auto-ajuda, e claro que o escritor fantasioso não escreveria livros de auto-ajuda. Seria um poeta ou romancista, isso já estava decidido.
Observei o que comia na janta, como segurava os talheres, como falava com as filhas, como tratava a mulher. Anotei em pensamento cada gesto, cada palavra, cada som que ele emitia. Um escritor de verdade, eu pensava emocionada. Eu nunca conheci um escritor, nem vi nenhum em pleno momento criativo ao meu lado, durante quase uma semana. Há essa altura já tinha convicção que a sua inspiração advinha da minha pessoa, que talvez eu fosse a personagem principal do romance, ou quem sabe ainda melhor, o título do seu próximo livro de poesias. E a minha curiosidade tinha chegado ao ponto de querer saber qual nome ele teria me dado em seus escritos, talvez até fizesse uma tatuagem com ele, em homenagem, é claro.
Mais um dia havia se passado, dali a pouco eu iria embora sem nem me apresentar pro futuro ganhador do Nobel de Literatura. O pânico me atingiu durante a madrugada e tinha tomado a decisão, na manhã seguinte iria me apresentar. Falaria qualquer coisa como você gosta de poesia? Pois escreve? ou talvez melhor: Qual seu gênero preferido? Crônicas? Romances?Contos? Depois conversaríamos durante horas, ele me contaria sobre seu romance e eu sobre minhas poesias. Mas algo, nesse exato momento de profunda divagação, me tirou a concentração.
Levantei da espriguiçadeira e me sentei na mesa. Ele conversava com algumas pessoas e dizia algo sobre uma construtora. Como assim, pensei. Deve estar falando de alguma outra pessoa, claro. E, como quem não quer nada, entrei na conversa. Estava empolgada, finalmente poderia por em prática o que ensaiava mentalmente há minutos atrás. Mas não, em uma fração de segundos meu mundo tinha desmoronado. Ele era dono de uma construtora, e não, não escrevia, fazia contas durantes todos esses dias. Estava preocupado em se ausentar durante tanto tempo do serviço, que trabalhava via email, atento e cuidadoso, pra que nada saísse do lugar enquanto estivesse fora.
Não aguentei o baque, me levantei sem pedir licença e saí. Andei pra longe, em segundos eu não era mais a inspiração da personagem mais famosa de toda a história da literatura nacional. Eu simplesmente passei dias observando um velho gordo e mau humorado, que não diferia em absolutamente nada de todos os velhos gordos e mau-humorados que conheci durante toda a minha vida.
Se eu não tivesse me esforçado tanto pra descobrir quem era, essa crônica seria diferente, seria sobre o escritor desconhecido que sentou-se ao meu lado durante uma semana. Mas se eu não descobrisse que ele era mais um cara comum, eu também não teria percebido que a pesoa está nos olhos de quem vê. Que não importa o que as coisas de fato são na realidade, mas como eu as observo, com quais lentes eu encaro a vida. Afinal, se eu pensasse que ele fosse um velho comum, eu teria uma história a menos pra contar, uma vida a menos pra viver, e continuaria acreditando que todas as pessoas são chatas e desinteressantes. Pelo menos depois disso, eu tenho certeza de que, pelo menos eu, não sou.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Meu nome é Laura, tenho 21 anos e curso Letras.
As pessoas costumam falar que eu sou fechada demais, pouco simpática, que estou querendo fazer tipo, nessas situações. Aí o professor, ou quem quer seja que esteja numa posição hierárquica mais favorável que a maioria, diz “fala mais sobre você, do que você gosta?”. Aí eu não penso quase nada e falo o mais óbvio: “ah, literatura, cinema, teatro, essas coisas”. E deixo as pessoas mais satisfeitas, porque, normalmente, elas se satisfazem com pouco, muito pouco.
Mas elas não sabem, e talvez nunca vão saber que, até os 17 anos eu odiava me chamar Laura, achava que, ou era nome de velha, ou de gordas rejeitadas. E, como eu não podia em encaixar na primeira alternativa, eu achava o nome uma espécie de maldição dos meus pais, pra que assim, eles se satisfizessem com o que quer que eles fossem, afinal, eu sempre seria pior. Mas passou. Sem motivos ou explicações, simplesmente era uma bobagem de adolescente rejeitada que, graças a deus, passa com o tempo.
As pessoas também nunca vão imaginar que apesar do meu tamanho P e dos meus 1.52cm, eu tenho uma tendência a me achar incrivelmente gorda e grande de vez em quando. E isso está diretamente ligado ao meu estado de espírito. E o meu estado de espírito está diretamente ligado ao imprevisível, ou à Lua – na melhor das hipóteses. O que faz com que eu seja uma pessoa quase sempre insuportável.
Mas eu tenho uma qualidade, eu gosto da maioria das pessoas que existem no mundo – e com elas, o meu humor é mais generoso. Eu poderia falar, numa dessas apresentações ridículas, que eu sou uma pessoa gostadeira. Na verdade eu sou de extremos, ou eu gosto ou não gosto, não existe aquele meio termo “não cheira nem fede” na minha vida. Eu acho as pessoas interessantíssimas, e prefiro gostar delas do que odiá-las. Na verdade, o ódio normalmente me vem como uma tentativa frustada de amor. É um amor mal canalizado, porque às vezes – e isso vai soar muito piegas -, eu me sinto tão cheia de vontade de amar os outros, e quando as pessoas não aceitam esse meu amor que é grátis, que ela poderia deixar encostado que nem o abridor de coco que ela ganhou de brinde na última ida pro supermercado, eu fico irremediavelmente irritada. E se você não quer o meu amor, você também não pode querer a minha simpatia. Até porque eu não sei ser falsa. Eu não gosto de você, e deixo isso bem claro pra quem quiser ver. Não tenho vergonha nenhuma. E o que eu puder fazer pra ver você longe de mim, eu vou fazer.
É, eu deveria dizer também que apesar de cheia de amor eu sou cheia de maldade também. O problema é que as maldades ficam sempre na minha cabeça, sempre que eu armo um plano pra satisfazer meus desejos de vingança, vem aquelas malditas ética e moral buzinar na minha orelha, e eu morro de remorso e me acho a bruxa malvada do leste por tem pensado em tais atrocidades. E aí eu acabo fazendo o papel de boazinha na maioria das vezes. Digo na maioria, porque alguma hora a coisa passa do meu limite aceitável e eu passo a fingir que a pessoa simplesmente não existe, e quem insistir e tentar me convencer do contrário, entra pra lista dos que “não estão mortos mas morreram” na vida da Laura.
Por isso que eu acho tão inútil dizer que eu sou a Laura, tenho 21 anos e faço Letras.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
domingo, 4 de janeiro de 2009
escala
dói rente e miserável
fatal e solitária
lasciva:
invertendo a ordem natural dos acontecimentos, lá se chega na frente, e se arrasta, mantendo o ciclo e a lógica, mas tornando-se a primeira e a última. O grito pungente da dor que circunda o ser.
sábado, 3 de janeiro de 2009
esta(c)los
ano-novo-vida-nova -adoro o dueto.
praia, fogos, champagne, sorrisos e abraços. um festival de pedidos, de mentes desejosas, cheias de esperança em novos sucessos. o problema todo é que eu não gosto disso. sim, sim, eu sou chatíssima. não acredito em ano novo e, muito menos nas tão famosas resoluções de ano novo. me deprime sinceramente pensar numa listinha de objetivos pros próximos 365 dias. em primeiro lugar porque , depois que você lê schopenhauer, essas "metas pro próximo ano" não passam de uma tentativa de fugir do tédio, que cedo ou tarde, será inevitável. E depois, se eu não consigo nem me manter numa porcaria de um regime que dura 2 semanas, como eu vou em manter em resoluções pro ano todo?
As coisas mudam, as pessoas mudam, eu mudo e você muda. Todos, inevitavelmente mudamos. Sem pausas para pensar, sem balanço de dados, sem tempo ou programação. Quando você percebe, você pediu uma salada de brócolis achando uma delícia. E sem maiores explicações você passou a ser pontual, pontualíssima, e a - pelo amor dos deuses! - se irritar profundamente com que sem atrasa mais do que 5 minutos do combinado. E você agora, talvez nem se lembre mais de todos os namorados que perdeu por deixá-los horas - pra ser eufêmica, claro -, esperando na frente do cinema. Pois é, o cinema continua no mesmo lugar, mas hoje é você quem não admite um mínimo de atraso. Então pra quê determinar objetivos? Pra que traçar planos para abril, junho e outubro ? Porque afirmar que você precisa perder 5 quilos até abril, como se você não conguisse, se tornasse uma total fracassada. Arranjar um emprego até maio? E se surgir uma oportunidade de estudar fora, assim, na melhor universidade da Inglaterra? O que você faz? Vai pegar sua listinha de resoluções pra 2009 e falar: ah, bom, eu vou continuar procurando um emprego. E se sua melhor amiga ficar internada por dias no hospital e que, pra fazê-la feliz sabe que vai ter que entupi-la de docinhos que ela adora, você realmente vai deixar de come-los só pra não fugir da resolução de abril ?
Não faça planos, não sucumba sua felicidade à moldes pré-fabricados. Faça sempre o melhor de si, e deixe que as suas estalactites se formem, sozinhas e originais. Formadas por tudo que sai de você, livres, constituindo aquilo que há de mais belo e verdadeiro. O que você foi e o que você é, comemore o seu passado e se liberte para o futuro.