domingo, 17 de maio de 2009

Ruídos

coração
desfeito
não tem jeito
eu suspeito
eu não sou assim

coração
rasgado
magoado
quase um fado
fato eu canto
pra extirpar a dor

erva daninha
meu tremor
meu desespero
não me salva
só me rende

esse amor
já tão latente
que distorce
que distende
esse peito tão marcado em dor

não me deixa
nem me sai
me transforma
e me desfaz

me arrasto
sem ter rastro
sem ter sombra
a me acompanhar

Um comentário:

Gabriel disse...

Às vezes certos sentimentos, que temos por referência, caem por terra e nos fazem questionar a realidade de tudo o que nos cerca.

Temos a estranha mania de fazer com que as decepções presentes façam com que todo o sentido se perca. Como se tudo fosse em vão, como se nada tivesse sido verdadeiramente real.

Mas se a realidade é nova a cada dia (assim como nós nos transformamos a todo instante), como poderei dizer hoje que não vivi, naquele contexto, uma verdade?

A dor de hoje não é a dor de sempre, e, às vezes, tudo o que precisamos para sair é saber (e sentir) isso.

Aqui, na torcida que o aí melhore logo.

beijos!