quinta-feira, 14 de maio de 2009

O tempo sempre passa.

Uma das coisas que mais me enervava na vida é quando alguém falava "tudo passa". Eu, sempre teimosa e fiel às minhas dores, achava um desaforo deixar as mágoas passarem, assim, como se levadas pelo mar. Até que eu cresci, ou se não cresci, algo se modificou dentro de mim. 

Hoje meus cabelos são curtos e a minha desconfiança é comprida. Eu não realizei nenhum dos sonhos dos meus quinze anos. Eu não realizei nenhum dos planos dos meus vinte, e olha que eu só tenho vinte e dois. Hoje eu escrevo até os números por extenso, pra não submetê-los à um mero símbolo. Eu aprendi a não abreviar. Hoje eu sou cheia de medos que conheço, e ciente de outros tantos desconhecidos. Sou movida pelo medo, ainda que seja bem lentamente, mas não paralizo. Aprendir a tapar os ouvidos nas horas certas, mesmo que ainda possa-se escutar por entre os dedos. E quando a dor vem, eu deixo ela vir, eu me arrebato de dor, me deixo ser dor, como se fosse um vento que passasse por mim. Despenteia meus cabelos, mas eu sempre tenho um pente na bolsa. 

2 comentários:

Eliseu Paranhos disse...

Continua a mesma. Sensível, talentosa e medrosa...

Mr. Mojo Risin' disse...

tambem tive que aprender...mas sentir as proprias dores, deixa-las vir, como um amiga que te abraca muito forte... e chora contigo...e tao importante para a vida...