Eu sempre fui muito preocupada com tudo. Qualquer coisinha mais ou menos já era capaz de me tirar o sono. Sabe aquele tipo de gente responsável demais, realista demais, certinha demais? Pois é, eu faço parte dessa raça que não consegue dormir se um trabalho está atrasado, se está em débito com o chefe, se mentiu pro pai, se deixou de fazer alguma-coisa-que-estava-programada-pra-hoje. Acho que uma das coisas que minha mãe mais vem repeito nos últimos 24 anos é "relaxa, minha filha, não adianta estressar por isso". Eu costumo viver a milhão, acordo pensando no banho, tomo banho pensando no trânsito e quando eu saio de casa, estou tão entretida com tudo que tenho que fazer de manhã que nem percebo que o trânsito estava - ou sempre tem estado? - incrivelmente bom hoje.
E é claro que, ao contrário do que minha facilmente-estressada-vida me mostra, eu estou - quase- sempre adiantada. O problema é que eu não percebo isso e, ou arranjei mais um-milhão-de-coisas pra me tirar o sono, ou estou incrivelmente doente - afinal, nem uma ferrari agenta andar só de primeira!
E aí que quem vive assim acaba não vivendo. Acaba levando a vida tão a sério que esquece que ela é uma só - ou talvez seja esse o problema? O problema mesmo é que os problemas são sempre menores do que a gente costuma imaginar. E que problema mesmo é a gente não ter onde morar e o que comer. O resto é pra gente ir levando, fazendo um pouco dali, um pouco de lá. Sem se preocupar se vai dar tempo - se lembrar que o tempo é a gente que faz. Parar de fugir e de reclamar por não ter tempo pra si mesmo. Se permitir descansar em plena segunda-feira e fugir da dieta quando você passar em frente aquela sorveteira que há tempos você queria ir. Deixar de lado os livros teóricos e pegar aquele romance água-com-açúcar que você comprou e deixou encostado - porque tinha coisas mais importantes pra fazer.
Viver é estar disponível pra aproveitar tudo que a vida pode te dar. Mas pra isso, é preciso que você não esteja com 3 litros de café no corpo ou dispensando jantares pela sua cama. Gaste seu tempo com aquilo que mantenha seu copor acordado sem precisar de nenhum miligrama de cafeína.
Tenho dito.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Gripe
Acho que uma das piores coisas de se sentir no mundo é a gripe. Ela simplesmente acaba com todos os sentimentos possíveis e passíveis de acontecer dentro de você. Tudo está bom. Tudo está ruim. Tanto faz. Você só quer que alguém leve um copo de suco de laranja na sua cama e meça sua febre de quatro em quatro horas. Você quer ter o direito de ficar mal humorada e de só ter vontade de dormir e claro, querer que todos entendam que, apesar disso, você se levanta de manhã, encara o maior trânsito do mundo e vai pro trabalho – e tenta realizá-lo da melhor maneira possível (mesmo que no fim do dia você arrisque dizer pras crianças: vamos brincar de dormir? E obviamente a resposta é não, a final, dormir é pros fracos – ou pros que podem) Aí você volta tenta dormir um pouco, não consegue, vai, faz suas coisas – tudo malfeito, claro, até porque você não consegue se lembrar da metade do que realmente tem que fazer e perde um tempo imensurável fazendo coisas inúteis como procurar onde estão os lenços que - óbvio que você se esqueceu, acabaram. Aí você vai pra faculdade, cansada, com frio, febre e sono. E claro, a aula é a mais legal do mundo e você simplesmente se odeia porque não consegue aproveitar a única coisa decente que te aparece de presente por causa daquela maldita gripe. Você volta na esperança do suco de laranja, ou de qualquer coisa que faça você se sentir um pouco-menos-pior do que você já se sente. Mas já é tarde, todo mundo tá dormindo. Aí você toma dois comprimidos – pra ver se melhora rápido – se encolhe debaixo das cobertas e dorme profundamente até a hora mais feliz do seu dia ( não, o suco de laranja não veio!), é quando você acorda assustada pensando meu Deus, perdi a hora! E quando olha no relógio ainda são duas da manhã e você tem mais 3 horas e 45 minutos pra dormir em paz.
Você quer que todo mundo entenda, ou que pelo menos alguém entenda. Isso porque você detesta se sentir vulnerável e incapaz. Você detesta não se sentir bem o suficiente pra sair da sua cama e fazer todas aquelas coisas que tinha planejado. Porque a gripe derruba e faz com que a gente se sinta pequeno de novo, querendo casa, amor e cama.
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