sábado, 24 de julho de 2010

O meu eu de cada dia

São oito horas da manhã  e eu estou deitada na cama sentido o frio bater nas minhas costas. Semana que vem eu estou de férias, e não faço absoluta idéia do que fazer com elas. Eu nunca sei o que fazer com as coisas que estão nas minhas mãos, depois de esperas ansiosas, até o bolo de chocolate perde a graça. Ando com muita preguiça, preguiça de comer, de dormir, de ficar sem fazer nada. Ando com saudades antecipadas, de quando os meus pequenos virarem gente do mundo. Ando com um pé depois do outro, com calma, e, isso eu já aprendi, se cansar eu paro. Não vou parar pra sempre, mas eu posso me sentar e tomar um sorvete. Depois eu continuo ou não, depende da companhia. Não quero me alongar, quero ser como sou curta, pequena, mas cheia de tirinhas de prazer. Quero cuidado, de fora e de dentro. De fora pra dentro, de dentro pra fora. Quero muito, quero ser. Me levantar e continuar a escalar a vida de hoje. O meu eu de todo dia.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Abençoado seja o cansaço

Meus olhos ardem depois de 4 horas de sono e 12 de trabalho. Mas a ardência noturna é boa, nos mostra que o dia valeu a pena. Gosto do cansaço, da estafa, do deitar na cama e nem conseguir dormir, pois seu corpo já se esqueceu até do cheiro do descanso. É bom sentir as pernas pesadas,  que flutuam achando-se mortas no colchão.  Sono só serve pra não se morrer, pra se viver é preciso  estar acordado, gastar todos os pedacinhos de vida que escrevem sua história.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Rasga meu coração

Queria escrever um texto pessoal, de personalidade dilatada, sem inventar, sem castigar o que sou. Escrever como quem toma o primeiro gole de cerveja numa tarde quente de verão.  Como quem não se lembra como foi parar na cama, ou nessa cama. Queria viver. Sem que a vida se torne uma eterna espera, sem que se precise se agarrar às pessoas para conseguir se equilibrar nos próprios pés. Quero o desequilíbrio. Quero tudo que acontece. Cheiro. Pele. Deixar o suor escorrer sem medo de molhar, sem medo de se apegar. Quero a coragem dos fracos, daqueles que em miséria sobrevivem sem saberem os porquês. Quero que rasguem as gramáticas e manuais, quero inventar meus acentos. Preencher meus hiatos, ou encará-los de frente, que seja o mais difícil. Quero sofrer, pra depois amar. Amar e rasgar o coração. Amar sem perdão. Quero segurança que se confunda com destreza, pés pequenos e ombros fortes. Quero confusão. Me perder e descobrir que se encontrar é uma questão de ponto de vista. Trocar os óculos, tampar  as canetas, esquecer a hora e se embaralhar no trânsito. E tudo isso porque é bom. Lembrar que noites mal dormidas são tão boas quanto uma colherada de doce de leite. Vou me lambuzar de vida.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Descobriu que fugir não adiantava nada mesmo, outros ares só servem pra mudar a forma do seu complexo capilar.Continuava confusa, senão mais. E se sentia burra, por não saber como resolver situações aparentemente simples. Sabia que se tem que ser forte, mas estava cansada. Queria receber de volta o amor que doava todos os dias.