quarta-feira, 29 de abril de 2009

Não me deixa mais rasgar o coração assim.


Ponho uma música qualquer. Só me importa o volume. A garganta dói, mas continuo prendendo o choro. Acho rídiculo chorar, pelo menos agora. Acho que eu gastei demais meu choro, acho que eu me gastei demais. Não faz muito tempo eu me dou por gente, e costumava não por planos no papel pra evitar a decepção. Ledo engano meu, menina que pensava controlar o mundo. Controle é a depreciação do cuidado. Doação sempre é demais. E eu demorei muito pra aprender. E não apreendo. Bato a cabeça em todas as paredes e no chão. Agulha do compasso que segura a ponta que risca. Diametralmente oposta ao risco eu estou. Inflou e subiu aos céus como um balão. Isso poderia ser uma carta de despedida, mas é só um lápis segurando uma mão. 

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Uma música, um amor

Eu ponho uma música na vitrola, deito no chão e deixo o Chico-chiado se misturar com a poeira e se instaurar em mim. Quinze anos, ou dezesseis, eu achei um toca discos guardado na garagem, peguei uns dez LP's do Chico e trouxe tudo pro meu quarto. Era um domingo, eu não esqueço, ou talvez sabádo, as lembraças não tem datas - é isso que eu sempre me esqueço. E naquela época eu só queria saber de ouvir Chico e pensar como eu ia fazer pra mudar o mundo. Só bem mais tarde eu aprendi que o mundo não muda, quem muda somos nós, mas isso não importava ainda. Eu passava as noites em claro, eu, o Chico e as músicas que nós, juntos, escreveríamos. Observava de longe a agulha rasgando o vinil, enquanto ele falava baixinho, e qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d'água. Antes do Chico, eu só queria ser alguém importante, tinha o sonho besta da revolução implantado na cabeça. Com o Chico eu me apaixonei pela primeira vez. O Chico despertou o órgão hipersensível que habitava meu corpo, e que antes, palpitava ideologicamente por alguma causa sem razão. O Chico cantou todos os meus amores, e fez de todos os meus pretendentes irrisórios, burros, e perversamente insensíveis. Depois de um tempo eu voltei a vitrola pra garagem, e baixei as músicas no computador. Mas eu nunca mais quis mudar o mundo, eu nunca mais tive grandes pretensões. Pra mim, tudo aquilo que cada um tinha dentro de si era tão bonito, tão instigante, e tão mais difícil de se adentrar do que qualquer causa operária consciente, que eu optei pelo caminho mais difícil. Um amigo virou cientista social, eu não virei nada. Uma conhecida, vai disputar as próximas eleições, eu vou passar as férias no Rio de Janeiro. Eu vou cantar. Eu vou sair por aí, vou escrever um verso em cada muro. Vou atravessar todas as ruas que se colocarem na minha frente, eu vou ir sempre em frente. E um dia, despida de qualquer ideologia barata, de qualquer idealismo frouxo - porque os ideais não são feitos de cimento -, eu vou sentar no meio fio, eu vou encher o meio fio de de amor, eu vou entupir os bueiros com as músicas do Chico, eu vou encher as calçadas dos meus quinze anos, e quando chover o mundo vai sentir o cheiro rasgado dos corações apaixonados.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

24-04-09


Eu to pensando em desconsiderar postar minhas poesias aqui até o fim do semestre, isso porque - acho que eu já disse, mas não custa relembrar -, eu tenho uma matéria na faculdade que me obriga a ter uma produçãozinha poética até o fim do semestre, com no mínimo 10 poemas. Até aí tudo bem, é só eu postar aqui e entregar lá, mas é que eu to com uma ligeira impressão que o professor não gosta desse tipo de coisa, ou vê esse blog - que eu espero, sinceramente, do fundo do meu coração, que seja mentira - , ou tem poderes sobrenaturais. Porque eu quis dar uma de espertona e dei pra ele uma poesia de janeiro, eu acho, e ele fez um comentário meio ardiloso durante a aula, algo do tipo, eu só quero poemas pós-março, e eu me senti a idiota perfeita. É óbvio que bate aí meu senso de honestidade, que já tava meio cambaleante frente à minha atitude sabichona, mas de qualquer maneira, eu vou tentar me controlar. Apesar de morrer de vontade de saber as opiniões alheias antes de entregar, até porque, se ele me vier com um zilhão de críticas, eu me daria por satisfeita em pensar nele como um contemporâneo barato e frustrado. Mas é hora de crescer e lidar com as verdades que as pessoas escancaram na nossa cara, né? 

Enfim, essa matéria não me ajuda em nada a produzir, só em confunde e me dá preguiça. Eu sempre escrevi, desde que me conheço por gente, e agora eu sinto que travei, ou melhor, que eu fui imbuída duma preguiça sem fim. Até porque quando eu tento produzir em casa com calma e obstinação saem coisas bem gostosas. O que me pega de jeito, é que nessa aula, agente tem uns dez minutos pra escrever, e isso me tira do sério, de verdade. Se  a idéia é ser instatâneo, ou pelo menos, sem preparações, eu preciso ao menos de tempo. Não em incomodo em que alguém vire pra mim agora e fale, escreva sobre a bezerra desmamada, a questao é que eu preciso de um tempo INDETERMINADO pra fazer isso. A não ser que eu esteja insipirada - sim, porque eu acredito na inspiração, e hoje eu descobri que o Drummond também, então nem preciso de ressalvas, certo? -, mas voltando, se eu estiver inspirada eu termino o poema em 10 minutos mesmo, o fato é que quando eu não estou eu preciso primeiro organizar minhas ideias, fazer elas degrudarem da cabeça, e às vezes até procurá-las atrás da orelha ou no meio do esôfago, e isso demanda tempo. Então ultimamente eu tenho feito uns poeminhas de - desculpe a expressão - poeminhas de merda, que nem eu mesmo gosto. E aí a porcaria do meu ego - que é tão bem cuidado, eu levo toda semana na manicura, juro -, fica meio, digamos, abalado. Um porque eu realmente escrevi mal, e dois por que o dito cujo professor também achou que eu escrevi mal. Ou seja, bingo! A Laura não é um gênio, e droga, ela precisa trabalhar para que as coisas saiam realmente boas. Então hoje eu escrevi, como não escrevia há muito tempo, e gostei do resultado, lapidado, com cuidado, com força e conteúdo. Vamos ver, se eu não me aguentar eu posto. 

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Socorro não estou sentido nada, mas como já senti, vai esse, eu gosto, era dos meus 16 anos.

Uma carta por tentativa. Um poema involuntário.



Gosto das letras,

Das palavras dispostas,

Mas e se não existissem nem as letras , nem as palavras?

Tenho que pensar no meu eu sem nada disso.


Vi o mar.

O vi como coisa real e imensa.

O mar tem um significado maior do que mar.

Ou eu que nunca soube do seu real significado?


Mas e que importância tem tudo isso?

Só sou o que sou graças ao mundo que vivo.

Se ele não existisse,

Eu também não estaria aqui?


Terei eu a mesma finalidade de um grão de areia?

Se tivesse nascido como grão , moraria na praia.

Como gente , penso que sou dona do mundo.

E se não houvesse mundo?


O obscuro ainda me atormenta.

Ainda mais sozinha.


Descobri que os apaixonados olham pro céu

E os amantes para o chão

E de que isto me serviu?


No momento parecia uma grande coisa

Mas nunca fui amante

Nunca me apaixonei

Contudo, já olhei pro céu e pro chão.

E daí?


Modernistas loucos e bem de vida.

Escritores presos , avessos ao mundo.

E daí?


A prostituição maior seria vender o que escrevo.

Mas tenho prazer em ser conhecida.

E daí?


Nunca me adaptaria ás regras impostas.

Mas fui oprimida por elas pela vida inteira

E hoje não mais sei quem era.



E por mais simplicidade que peça

Nunca levaria uma vida normal.

Sou gente por origem , e grão por consciência.

E isso que me dói.

Mas e daí?

-Ouço vozes irritadas no fundo da sala.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

vinte e dois.

não mais que poucas palavras me valem.
espremo meu coração e o que é líquido se esvai.
não me alongo e não construo
permaneço enquanto o tempo cisma em passar
des-insisto no improvavável
me fixo no essencial
sentimento ao relento
me desfaço em vento.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

não. eu não consigo por uma letrinha depois da outra que faça um mínimo de sentido lógico. cabeça girando, cansaço batendo forte atrás das costas. muita insegurança. muito medo. muita coisa que eu não sei explicar borbulhando dentro do meu peito querendo sair. mas o cansaço não deixa. tanta coisa que ficou na prateleira do deixa pra depois. e o depois parece que não chega nunca. aí eu fico pensando se eu vou ter que fazer acontecer tudo. e no fundo eu sei que vou o problema são todas aquelas pedras no meio do caminho. e as mudanças de caminho. e estou cansada, já disse. e sem linearidade.