Uma carta por tentativa. Um poema involuntário.
Gosto das letras,
Das palavras dispostas,
Mas e se não existissem nem as letras , nem as palavras?
Tenho que pensar no meu eu sem nada disso.
Vi o mar.
O vi como coisa real e imensa.
O mar tem um significado maior do que mar.
Ou eu que nunca soube do seu real significado?
Mas e que importância tem tudo isso?
Só sou o que sou graças ao mundo que vivo.
Se ele não existisse,
Eu também não estaria aqui?
Terei eu a mesma finalidade de um grão de areia?
Se tivesse nascido como grão , moraria na praia.
Como gente , penso que sou dona do mundo.
E se não houvesse mundo?
O obscuro ainda me atormenta.
Ainda mais sozinha.
Descobri que os apaixonados olham pro céu
E os amantes para o chão
E de que isto me serviu?
No momento parecia uma grande coisa
Mas nunca fui amante
Nunca me apaixonei
Contudo, já olhei pro céu e pro chão.
E daí?
Modernistas loucos e bem de vida.
Escritores presos , avessos ao mundo.
E daí?
A prostituição maior seria vender o que escrevo.
Mas tenho prazer em ser conhecida.
E daí?
Nunca me adaptaria ás regras impostas.
Mas fui oprimida por elas pela vida inteira
E hoje não mais sei quem era.
E por mais simplicidade que peça
Nunca levaria uma vida normal.
Sou gente por origem , e grão por consciência.
E isso que me dói.
Mas e daí?
-Ouço vozes irritadas no fundo da sala.
Um comentário:
...mais uma perola escrita!
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