quinta-feira, 23 de abril de 2009

Socorro não estou sentido nada, mas como já senti, vai esse, eu gosto, era dos meus 16 anos.

Uma carta por tentativa. Um poema involuntário.



Gosto das letras,

Das palavras dispostas,

Mas e se não existissem nem as letras , nem as palavras?

Tenho que pensar no meu eu sem nada disso.


Vi o mar.

O vi como coisa real e imensa.

O mar tem um significado maior do que mar.

Ou eu que nunca soube do seu real significado?


Mas e que importância tem tudo isso?

Só sou o que sou graças ao mundo que vivo.

Se ele não existisse,

Eu também não estaria aqui?


Terei eu a mesma finalidade de um grão de areia?

Se tivesse nascido como grão , moraria na praia.

Como gente , penso que sou dona do mundo.

E se não houvesse mundo?


O obscuro ainda me atormenta.

Ainda mais sozinha.


Descobri que os apaixonados olham pro céu

E os amantes para o chão

E de que isto me serviu?


No momento parecia uma grande coisa

Mas nunca fui amante

Nunca me apaixonei

Contudo, já olhei pro céu e pro chão.

E daí?


Modernistas loucos e bem de vida.

Escritores presos , avessos ao mundo.

E daí?


A prostituição maior seria vender o que escrevo.

Mas tenho prazer em ser conhecida.

E daí?


Nunca me adaptaria ás regras impostas.

Mas fui oprimida por elas pela vida inteira

E hoje não mais sei quem era.



E por mais simplicidade que peça

Nunca levaria uma vida normal.

Sou gente por origem , e grão por consciência.

E isso que me dói.

Mas e daí?

-Ouço vozes irritadas no fundo da sala.

Um comentário:

Mr. Mojo Risin' disse...

...mais uma perola escrita!