Foram 361 dias vividos até a última gota de suor- ou lágrimas. Me lembro como se fosse hoje, ou como se não se fosse. Porque algumas coisas, por mais que pareçam se desmantelar, ainda deixam - e pra sempre, talvez, deixarão - suas marcas. Não sou amesma que terminou 2009, em todos os aspectos. Me formei, comecei outra, trabalhei duro, fui promovida duas vezes em um ano. Aprendi que o trabalho dignifica o homem, de verdade. Aprendi a dormir tarde, acordar cedo, a não deixar o coração amolecer por bobagens. Aprendi que ainda não sei discernir as bobagens. Depois eu perdi. Perdi meu exemplo vivo, de vida, amor, e bem-estar. Perdi, e perdendo, descobri que é preciso sorrir - em qualquer tempo. E de repente, me percebi: lá estava eu, pensando que qualquer coisa valia a pena. Valer sem valor, valer por estar, por não querer desperdiçar, jogar fora. Até que um dia a casa cai, pois vai vá curtir, seu deserto, vai. Liguei o som baixinho do carro, ouvir pra escutar melhor. Expulsar, expurgar, mandar embora. Aprendi a ser forte e fazer o que é certo - mas principalmente, que não tem nada melhor que um abraço amigo. Chorei muito, sorri mais ainda. Abracei tanto, mas tanto que acho que meus braços até cresceram. Aprendi que beijos estalados numa manhã chuvosa são o melhor remédio pra uma noite mal dormida. E que noites mal dormidas são muito bem vindas de vez em quando. Não consegui deixar o tempo passar, saí correndo e cheguei primeiro. Quero que 2011 seja igual, seja bom, seja doce. Que me dê mais tempo, mais beijos estalados e mais abraços apertados. Que seja, enfim, bom, incrivelmente bom.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Ouça um bom conselho, que eu lhe dou de graça.
Uma das coisas que eu mais prezo são os nossos critérios, é bem verdade que por vezes eu me esqueci deles, mas no fim, invariavelmente, são eles que pigam meus is. E hoje, depois de cinco anos de relacionamentos - ora frustrados, ora terminados -, eu aprendi que são os meus valores que me mantêm firme, em pé, ainda que com o coração despedaçado. Esse é conselho que eu sempre dou para os meus amigos: não importa o quanto você ame, se intimamente você não se sentir confortável com isso, não vai dar certo. E procure fazer isso rápido, antes as coisas se compliquem e se confudam e você já não saiba o que está fazendo ali - ou aqui -, de fato. É como diz Carpinejar, sempre que tento fazer alguém feliz, eu é que acabo triste. Sempre quando você releva pelo outro, é você quem termina sozinho. Não que nada possa ser relevado, a final relacionamentos são construídos, mas o fundamental, o respeito que você tem por si mesmo - e por consequência, pelo outro - é a única coisa que de fato importa. As pessoas não mudam, e por melhor e mais bem intencionado que você seja, nem tudo depende de você, ou do seu amor. Por isso se resguarde, prefira manter-se de pé sozinho, do que estirado acompanhado. No amor não existem vencendores, andamos de mãos dadas.
"Quem gosta da orgia
Da noite pro dia
Não pode mudar"
domingo, 12 de dezembro de 2010
fim de ano
E talvez eu esteja com medo desse fim de ano. Da meia-noite, dos fogos, do telefone tocando. Nunca gostei de fins-de-ano, mas por algum tempo achei que tivesse me acostumado. Mas acostumar é uma maneira de se enganar também, é achar que o agora vale mais que a vida toda. E não vale? Não valeu. Começou ruim e terminou pior, coração que aprendeu a tomar coragem, até ter raiva de si mesmo e da sua própria indignação. Aí a gente sofre e faz quem gosta da gente sofrer junto. Mas aí deu pra criar um pouquinho de casca, de desconfiança, de malandragem. Ou não, não importa, a gente é o que é. E o caminho é realmente mais duro quando se faz sozinho. Olhar pra frente e não pros lados. Não ter medo de tentar de novo e sempre. Não desanimar. Não querer resolver todos os problemas do mundo. Não ter a obrigação de deixar os outros felizes. Não esquecer de olhar pra dentro. Não deixar que as coisas ruins tomem conta da sua suposta felicidade. E se deixar desenrolar, e perceber a vida como ela se dá. Deixar que as coisas ruins passem e as boas fiquem. Esperar e não se acostumar.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Escrever
Estou sentada há mais de uma hora na frente do computador, tenho algumas idéias e muitos receios. Estou um pouco cansada de não me focar no que realmente é para escrever aqui neste blog, por isso vou pelo básico: como se escreve? Como eu escrevo? Um cantinho um violão, esse amor, uma canção. Eu escrevo pra fazer feliz a quem me ama, como diria meu grande mestre Tom. Para escrever é preciso achar a música certa, o tom exato. O sibilar precisa sair do corpo, às vezes como suor, às vezes em forma de lágrima. Isso talvez seja o que muitos chamam de inspiração, mas para mim é só saber escutar o zunido que a vida provoca. Saber escrever, antes de tudo, é saber olhar a vida, respirá-la, inspirá-la. Ainda mais, é saber se olhar, se respirar, se inspirar. O sertão é dentro da gente, eu já me apropriei. Escrever é copiar, antropofazijar, deixar que as palavras ganhem novos significantes e significados. Se estender para além do corpo, minhas extremidades de nanquim. Eu saio borrando tudo por aí. Quero ter o mundo nas mãos, por isso escrevo. Quero criar meu próprio mundo, me travestir de quem eu sou, deixar escapar o que sinto. Tenho o poder de transformar meus medos, construir minhas próprias verdades. Me deixo ser o que não sou, para assim chegar a ser. Escrevo para ser palpável.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O sol ainda vai nascer.
O seu esforço não vale nada, eu já aprendi a lição. O que vale mesmo é o amor que você tem pelo que está em volta.O quanto você se sacrifica, é besteira. O negócio é dormir pouco e rir muito, o máximo possível, de tudo. Aproveitar a vida enquanto ela ainda está se dando pra você. Não ter medo, não ter sono e não ter preguiça. Não perder olhares, cores, sons e gestos. Não levar tudo tão a sério, mas saber quais são as coisas realmente sérias. E perceber que seriedade nada tem a ver como rugas ou rabugice, mas com não deixar escorrer pelo tudo aquilo que você quer pra si.
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