segunda-feira, 25 de maio de 2009

Rasgada, era assim que eu me sentia. Que nem pano velho, que agente rasga e faz dois, três, quatro, uns pra tirar o pó, outros pra limpar o chão. Essa consciência já me bastava. E sentia que era a mesma velha história: se culpado havia, o codinome seria meu. Porque fugir daquilo que conforta se mostrava tão ferozmente como o caminho certo? Porque tudo parecia me levar a um estado paralizador das ações? Como num quebra-cabeças eu lutava contra todas as multidões que habitavam meu coração, atrás da peça certa. Sem saídas, eu fugia por todas as tangentes buscando pelas redes de segurança que não estavam mais ali. Eu não sabia pra onde eu ia, eu não sei o que me tornei. 

domingo, 17 de maio de 2009

Ruídos

coração
desfeito
não tem jeito
eu suspeito
eu não sou assim

coração
rasgado
magoado
quase um fado
fato eu canto
pra extirpar a dor

erva daninha
meu tremor
meu desespero
não me salva
só me rende

esse amor
já tão latente
que distorce
que distende
esse peito tão marcado em dor

não me deixa
nem me sai
me transforma
e me desfaz

me arrasto
sem ter rastro
sem ter sombra
a me acompanhar

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O tempo sempre passa.

Uma das coisas que mais me enervava na vida é quando alguém falava "tudo passa". Eu, sempre teimosa e fiel às minhas dores, achava um desaforo deixar as mágoas passarem, assim, como se levadas pelo mar. Até que eu cresci, ou se não cresci, algo se modificou dentro de mim. 

Hoje meus cabelos são curtos e a minha desconfiança é comprida. Eu não realizei nenhum dos sonhos dos meus quinze anos. Eu não realizei nenhum dos planos dos meus vinte, e olha que eu só tenho vinte e dois. Hoje eu escrevo até os números por extenso, pra não submetê-los à um mero símbolo. Eu aprendi a não abreviar. Hoje eu sou cheia de medos que conheço, e ciente de outros tantos desconhecidos. Sou movida pelo medo, ainda que seja bem lentamente, mas não paralizo. Aprendir a tapar os ouvidos nas horas certas, mesmo que ainda possa-se escutar por entre os dedos. E quando a dor vem, eu deixo ela vir, eu me arrebato de dor, me deixo ser dor, como se fosse um vento que passasse por mim. Despenteia meus cabelos, mas eu sempre tenho um pente na bolsa. 

quarta-feira, 13 de maio de 2009

São Marcos do Palestra Itália




E ontem todos os devotos viram o milagre acontecer. Porque Deus pode até não ser palmeirense, mas São Marcos é.  


sexta-feira, 8 de maio de 2009

08-05-2009

e eu me perdi de novo entre as suas cartas e promessas, a mesma música tocando no ouvido, porque nada muda, nada muda se agente nao muda. e eu fico me procurando, procurando uma pista de onde eu possa ter me deixado, se foi em você ou nas cervejas que eu fui esquecendo de tomar com o tempo. o tempo passando e eu ficando, que nem quando você vê a paisagem pela janela do carro, todo mundo fica olhando pra mim enquanto escolhe uma música no ipod. 

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Uns versinhos sem melodia.

eu sou o verso que você cantou
eu vou te procurando pelo ar
e quando eu vejo você passou
e eu esqueci de te alcançar

você é tudo que eu deixei passar
que num piscar de olhos se perdeu
com o acaso a descançar
eu perdi o que você viveu

enquanto andei você corria
e quando eu ia você parava
eu tropeçava e você não via
que em todo o lugar eu te procurava



domingo, 3 de maio de 2009

Verde que te quero verde.

Eu não acreditava mais. De família de santistas, eu vi todas as minhas forças se esvaírem junto com as do Diego Souza no último jogo da semi-final. Afinal, aquele não era o meu Palmeiras, disso eu tinha certeza. Reformulação, reestruturação. Fica Belluzo, sai Luxemburgo - aquele que eu não consigo perdoar -, quero que percam logo, quero o time do Palmeiras vestindo essa camisa. Quero respeito, eu falava sem disfarçar as lágrimas que caíam de vergonha daquele time que vestia a minha camisa sem propriedade nenhuma. A Libertadores só serviria pra triunfar o fracasso, eu estava magoada, triste, me sentia traída por aquele que eu amava sem restrições. Contra o Colo-Colo, contra a declaração do Luxemburgo de segurar o jogo, contra a minha mágoa, eu assisti, e desisti aos 40. Virei pro lado e não permiti que meu coração sofresse mais uma vez, fechei os olhos e só não desliguei a tv por teimosia.Gol. Virei pro outro lado, bem feito eu falei. Até que eu ouvi um Palmeiras. E vi Cleiton Xavier gritando junto comigo, eu vi o Palmeiras. Como se algo divino tivesse acontecido. Esperei o replay, o gol. Olhou, chutou e fez. Na raça, na confiança. Porque quem veste a camisa alviverde pode arriscar, Deus sempre ajuda.