É tanta coisa na cabeça. É medo de não conseguir, de não suportar, de abrir a janela e tudo continuar igual. Medo de não crescer nunca. Medo de ficar à mercê das pessoas e das situações. Medo de amar demais. Medo da intensidade. Medo da falta, da ausência. Medo de ser esquecida e jogada às traças. Medo de deixar as coisas importantes pra trás por besteira. Medo de confundir as besteiras. Medo de ficar e não ir. Medo de fugir e ser bom, de ficar e ser ruim. Medo de mudar, de transformar. Se transformar naquilo que você nunca quis ser. Medo de não sustentar as próprias palavras, as próprias convicções, o próprio caráter. Medo de se deixar levar. Medo de não se deixar levar e ficar estaticamente à espera do caminho certo. Medo de não reconhecê-lo. Medo de já ter passado do tempo. Medo do antes já ser depois – e dá medo, porque o depois não volta a ser antes nunca. Medo de não haver segundas chances. Medo não haver nem primeira. Medo da vida. De colocar um pé depois do outro, buscar emprego, estudo e dinheiro. De conseguir e não saber o que fazer com tudo. De achar. Medo daquilo que eu acho que enxergo. Medo daquilo que não sou eu.
terça-feira, 26 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
I’ll try.
Again.
Porquê tudo é tão complicado? Eu olho pela janela e continuo vendo as mesmas coisas que há 5 anos atrás. As coisas ficam, as pessoas vão. O mundo se esvai e eu não sei em qual momento eu deixei as coisas todas irem embora pra longe de mim. Parece que conforme a gente vai crescendo e virando gente grande a gente vai se distanciando, sei lá, das coisas realmente importantes. Cada um quer construir a sua própria vida, como se a vida fosse uma caixa fechada em que – quando ou se- você quiser você abre pros outros entrarem e verem como ela é bonita. Que nem aquelas caixas decoradas nas papelarias do shopping. Só que o problema mora aí: eu não sei se eu quero decorar uma caixa de papelão e abrir ela pra que os outros vejam como eu sou especial, inteligente e divertida. E eu também não quero passar a vida toda pedindo licença, mentindo e pulando de caixa em caixa. As pessoas crescem, encontram um parceiro ideal, procriam, criam e depois – obviamente – sofrem horrores pra deixar suas crias construírem suas próprias caixas. Não quero uma vida-caixa-de-papelão-decorada. Quero vida-apanhador-no-campo-de-centeio. Encontros e desencontros. Quero a urgência, a necessidade. O acaso de uma vida inteira. A devastação, a devassidão. O que não oprime nem suprime. Janelas e portas abertas – menos pra que os outros entrem, mais pra que meu ar saia.
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