segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Vestir-se-me
Quando a saudade era muita, ela vestia as meias dele. Era uma forma, ela pensava, de te-lo mais perto de si, aquecendo seus pequenos e gelados pés. Ela ainda não tinha se decidido se era bom ou ruim: tê-lo perto de si era mantê-lo em seu pensamento até quando não queria pensa-lo. Era sentir o frio entre seus dedos, era sentir o incômodo, a estranheza de seus pequenos pés frente a meias tão grandes. Era sentir-se ligada, conectada, ainda que ilusoriamente, à existencia dele. A vida só e solitária que levava, perdia o sentido quando seus pés se aqueciam, seus dedos se embaraçavam, sua mente, sempre focada, se permitia esquecer da realidade temporária (e migrar para uma eternidade insolúvel). Vestir suas meias era como sentir seu perfume. Sentir saudade era, então, sentir presença.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
O velho método da tentativa e erro.
Wordpad, porque quando a gente abre o word parece que só monografias devem sair de lá - e eu nunca fui muito boa em trabalhos escolares.
A questão é, eu abri esse arquivo e agora preciso colocar uma letra depois da outra, formar frases, sentenças, parágrafos e com sorte, alguma coisa legível. O problema é que a sorte nunca foi minha aliada, ela sempre andou de lado, à esquerda, e quando eu olho pro lado, ela já passou. Aí vai a Laura trabalhar mais, estudar mais, dormir menos, ficar cansada demais, chata demais e reclamona demais. Ela fica tão insuportável que nem ela mesma se aguenta. Começa a olhar pro lado e fica aquela coisa meio Caio, do mundo passando que nem roda gigante e você lá na fila, esperando uma vez que nunca chega - porque talvez ela não seja sua. Esperar inutilmente deve ser ruim, pior é não esperar - ou não saber o que. Entrar nas filas pra se sentir parte do mundo, pro tempo passar mais rápido, pra que, de alguma maneira, você se sinta mais gente. Mas você não se sente, não adianta. As coisas em volta de você são irritantemente chatas e sem vida. As pessoas falam e você sente as letras se dissolverem em nuvens de fumaça e se esvaírem pelo céu antes de conseguirem perfurar seus duros e cimentosos ouvidos. E você continua sabe-se lá o motivo. Talvez porque não haja outra saída. Talvez porque esperar seja uma saída. Talvez porque você saiba que ainda não sabe, mas no fundo, espera que os pontos se liguem e tudo faça sentido.
A questão é, eu abri esse arquivo e agora preciso colocar uma letra depois da outra, formar frases, sentenças, parágrafos e com sorte, alguma coisa legível. O problema é que a sorte nunca foi minha aliada, ela sempre andou de lado, à esquerda, e quando eu olho pro lado, ela já passou. Aí vai a Laura trabalhar mais, estudar mais, dormir menos, ficar cansada demais, chata demais e reclamona demais. Ela fica tão insuportável que nem ela mesma se aguenta. Começa a olhar pro lado e fica aquela coisa meio Caio, do mundo passando que nem roda gigante e você lá na fila, esperando uma vez que nunca chega - porque talvez ela não seja sua. Esperar inutilmente deve ser ruim, pior é não esperar - ou não saber o que. Entrar nas filas pra se sentir parte do mundo, pro tempo passar mais rápido, pra que, de alguma maneira, você se sinta mais gente. Mas você não se sente, não adianta. As coisas em volta de você são irritantemente chatas e sem vida. As pessoas falam e você sente as letras se dissolverem em nuvens de fumaça e se esvaírem pelo céu antes de conseguirem perfurar seus duros e cimentosos ouvidos. E você continua sabe-se lá o motivo. Talvez porque não haja outra saída. Talvez porque esperar seja uma saída. Talvez porque você saiba que ainda não sabe, mas no fundo, espera que os pontos se liguem e tudo faça sentido.
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