segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sem mistério.

Às vezes eu fico me perguntando até que ponto eu consigo discernir realidade de fantasia, e também até que ponto as pessoas são levianas ou não. Uma das minhas maiores qualidades - ou defeitos, talvez - seja a transparência: eu não sei mentir. Aliás, muito pelo contrário, meu rosto denuncia cada milímetro de pensamento. Isso faz com que eu me torne uma pessoa facilmente manipulável. Eu não sei esconder o jogo, eu não sei nem jogar. Ao mesmo tempo que eu mino todas as possibilidades que me desagradam, eu também escancaro as portas pra quem eu quero comigo. É difícil ser assim, não tem muito mistério e nem muita graça. É pão-pão, queijo-queijo. O que torna meus amigos sempre mais paternais que o normal, é como se eles quisessem me proteger daquilo que não consigo ver. Dou trabalho, sei que sim. Sei que não consigo esconder o cansaço e muito menos a alegria. Sei também que sou egoísta quando se trata dos meus. Quero todos juntos, sentados do meu lado, me fazendo companhia. E o resto do mundo eu quero que exploda, sem dó. E eu não disfarço, eu não sei. Eu não sei um monte de coisas de gente grande e do mundo de verdade. Mas eu não sei se eu quero descobrir.

domingo, 28 de novembro de 2010

Steve Jobs, a morte e a vida.


Hoje é domingo a noite, e eu pego o notebook, ponho no colo e sento na varanda. Tô pensando no meu dia de amanhã. Domingos sempre me deixam ansiosamente estranha.Aí eu resolvi assistir aquele discurso do Steve Jobs, pros formandos de Stanford. É claro que tem aquela coisa toda de merchandising, mas no fundo vale a pena ver. Tem uma hora que ele diz que você precisa ter a morte sempre como parâmetro, ou seja, você acorda de manhã e pensa: se eu fosse morrer hoje eu faria exatamente o que vou fazer? E se a resposta for repetidamente não por algum tempo, é porque tem alguma coisa errada. Sabe, eu não trocaria meu dia de amanhã, principalmente se fosse morrer. Acho até que se não fosse, eu pediria mais um diazinho de fim-de-semana, pra poder descansar mais. Mas a questão é outra,  o que mais fez sentido no discurso dele foi quando ele disse sobre acreditar no seu coração. Tome as atitudes que você acha que deve tomar, mesmo que elas não façam muito sentido hoje. E confie que as linhas da sua vida, por mais desconexas que possam parecer, um dia irão se juntar. Uma hora tudo fará sentido, você tem que acreditar - mesmo que seja difícil. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A novela da minha vida

Quando até o passarinho faz coco na sua cabeça, é hora de parar de reclamar e rir.

Faz algum tempo - e eu já até comentei sobre isso aqui - que eu entrei na Igreja da Consolação e pedi que Deus me desse alguma luz e, como não foi nenhuma novidade, ele não deu. Minha história com Ele sempre foi turbulenta e engraçada. Comédia para os outros, tragédia para mim. Ultimamente tenho dito que Deus anda tirando uma onda da minha cara, como se fosse escritor de novela. Nunca tive tantas novidades em um mês, uma semana, um dia. Mas tinha que ser com você, é o que mais eu tenho escutado. Tinha? Tem uma hora que cansa e você só quer que nada mais aconteça, pelo menos até amanhã. Tem uma hora que você quer ter certezas, mesmo que você já tenha aprendido que todas elas são efêmeras e sem garantias. Mas você só quer poder relaxar um pouco, parar de reclamar, começar a viver. Sentir o cheiro da vida, das cores, das coisas. Dar bem mais que seu mau-humor e cansaço praqueles que você ama. Deixar de ser resto, pra ser inteiro. Deixar de ser pedaço pra ser todo. Mas Ele insiste em brincar comigo. Quando eu começo a relaxar, as coisas se enrolam novamente. E é que nem novela, nem tudo é ruim. As coisas ruins só dificultam que as boas aconteçam. E as boas são realmente boas, o problema é todo esse: é a mocinha não se deixar levar por toda a confusão da sua vida e ficar cega, ou achar que vai ser tudo sempre igual. E todo mundo assiste, e todo mundo torce, mesmo sem querer. Eu cansei de desafiar Deus, agora eu só acredito. Acredito naquelas malditas linhas tortas que ele escreve, e fico torcendo pra elas serem um pouco menos tortuosas. Enquanto isso, tudo bem, podem rir e se divertir. Que nem eu consigo ficar séria.

sábado, 20 de novembro de 2010

Éramos nós.

Ai, que saudade.

Vai logo, vai. Aperta a campainha e sai correndo, anda! E a nossa maior preocupação era passar na prova de Química. Éramos as três, completamente diferentes e inseparáveis. É engraçado ver como o tempo passa e agente muda. Quem era quem há 7 anos atrás? Aos 16 qual de nós imaginaria que ainda teríamos as mesmas crises e riríamos das mesmas bobagens agora? É engraçado ver como cada uma se transformou, e foi quase impossível prever o futuro. Não foram só nossos cabelos, nossas roupas e nossos namorados que mudaram. A gente também se mudou, Santos-São Paulo-São José. E são raras os nossos encontros. Uma hora é uma que trabalha demais, outra que namora demais, outra que só quer saber de cair na noite. Depois os papéis de invertem, o trabalho vira faculdade, o namoro vira tristeza e a balada começa a perder a graça. Como se não tivesse graça sermos iguais o tempo todo. Como se assim não tivesse motivo pra brigar. Porque a gente também briga muito. Uma é muito grossa, outra é muito ciumenta outra não sabe se fazer entender. Mas aí a gente fala que a janela do msn não piscou, que o celular deu pau, que foi tudo uma mal entendido. Porque a gente não quer perder essa certeza. De ligar a qualquer hora, de pedir pelo amor-de-deus-liga-a-webcam-e-vê-se-eu-to-bonita? De rir até chorar com a insegurança da outra. De prometer e nunca cumprir. De bater aquele aperto no peito cada vez que a gente se fala e vê que, por mais que não sejamos nem sombra do que fomos, o sentimento é o mesmo, esse amor não passa.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Até onde você é capaz ?

O que que vale a pena ?

domingo, 7 de novembro de 2010

O agora.

Ela tinha conseguido tudo que queria até então. Tudo bem que não era exatamente o que tinha imaginado que seria aos dez. Mas também, já havia mudado de idéia tantas vezes, que seria impossível satisfazer por completo suas aspirações infantis. Mas enfim, era uma mulher. E tinha, de certa maneira, meio de lado, meio modesta, meio sem jeito, uma ponta de orgulho daquilo que tinha se tornado. Sentia como se finalmente houvesse algo palpável dentro de si. Algo seu. Sabia que não era perfeita, que magoava a maior parte das pessoas que não queria magoar, que muitas vezes era injusta e em grande parte do tempo estava cansada demais para ser uma boa companhia. Mas era sua maneira de conseguir seguir em frente e, por mais que tentasse, não conseguia mudar muito. Tudo parecia acontecer muito rápido, e as decisões sensatas que deveria tomar sempre se transformavam em rasgos de impulsividade. Mas era verdadeira. E também cheia de pedacinhos bons. Achava que eles compensavam. E, mesmo não sendo o que um dia havia sonhado, acreditava ser e estar melhor que em qualquer conto de fadas. A final, não tinha nada de encantada. E era bem melhor assim.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

É tempo de minar as dores e partir pro abraço.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

dorzinhas.

a garganta dói. o pescoço dói. o corpo todo dói. até o que você nem sentia, também dói. dói o pulso, o pulmão, a picada do soro. dói o antibiótico que entra. pra entrar, dói o contraste. também dói a cabeça, o susto. dói a cara de preocupação do seu pai. dói não poder ir trabalhar no que eu tanto gosto. dói meu exagero em sentir dor. em ter medo da dor. dói não saber ficar quieta, sem companhia. mas tem seu lado bom. o carinho, o chocolate quente, o brigadeiro. os telefonemas, as mensagens. o beijo, o abraço. saber que você pode ser chata e reclamona, pode chorar e fazer birra, que tem quem se importe.