domingo, 5 de dezembro de 2010

Escrever

Estou sentada há mais de uma hora na frente do computador, tenho algumas idéias e muitos receios. Estou um pouco cansada de não me focar no que realmente é para escrever aqui neste blog, por isso vou pelo básico: como se escreve? Como eu escrevo? Um cantinho um violão, esse amor, uma canção. Eu escrevo pra fazer feliz a quem me ama, como diria meu grande mestre Tom. Para escrever é preciso achar a música certa, o tom exato. O sibilar  precisa sair do corpo, às vezes como suor, às vezes em forma de lágrima. Isso talvez seja o que muitos chamam de inspiração, mas para mim é só saber escutar o zunido que a vida provoca. Saber escrever, antes de tudo, é saber olhar a vida, respirá-la, inspirá-la. Ainda mais, é saber se olhar, se respirar, se inspirar. O sertão é dentro da gente, eu já me apropriei. Escrever é copiar, antropofazijar, deixar que as palavras ganhem novos significantes e significados. Se estender para além do corpo, minhas extremidades de nanquim. Eu saio borrando tudo por aí. Quero ter o mundo nas mãos, por isso escrevo. Quero criar meu próprio mundo, me travestir de quem eu sou, deixar escapar o que sinto. Tenho o poder de transformar meus medos, construir minhas próprias verdades. Me deixo ser o que não sou, para assim chegar a ser. Escrevo para ser palpável. 

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