segunda-feira, 15 de junho de 2009

Desabafo

Eu estou cansada dos discursos inflamados, pra não dizer dos ânimos. O maniqueísmo disfarçado de ideologia revolucionária não desce mais pela garganta. É preciso gritar.

Eu sou contra. Terminantemente contra. Acho que é uma luta pelos meios e motivos errados. Um passo pra fora da reta, ainda que não possamos falar em reta, num caso como esse. Eu explico, mais uma vez, de novo, e repetidamente a USP está em greve. Uma greve como as outras, talvez um pouco mais requintada, um pouco, um pouco só. Melhor, um pouco e só.

E quando digo um pouco, me refiro à entrada da PM no campus, e aos atritos com alunos, professores e funcionários. Isso me cansa. Quem estuda na USP está cansado de ver, ouvir e saber que um grupo que totaliza num máximo cinco mil pessoas - só de alunos, a USP conta com 80 mil -, sempre está correndo atrás das greves. Os alunos - e quando digo alunos, excluo todos aqueles filiados aos partidos políticos, porque, por exeperiência própria, creio que tem outros objetivos dentro desta universidade - quando favoráveis à greve, pedem por mais tempo para terminarem seus trabalhos de fim de semestre. Os funcionários pedem aumento, os professores, bem os professores são na maioria das vezes sufocados, e se tornam apáticos, lutando por causas que não são, a priori, suas.

Hoje, a PM virou bandido. Mais uma vez, os intelectuais mais conceituados do país- pelas suas próprias palavras -, voltam à ditadura, e estremecem de medo ao primeiro contato com a polícia. Parece que paramos no tempo. De um lado vemos professores acuados, lutando contra uma polícia que está posta no campus por ordem judicial para protegerem eles mesmos, e de outro, temos alunos afoitos que, por pensarem não fazer parte da história política do país, desejam uma polícia truculenta e imbecil, cuja função seria transformá-los em heróis.

Sinto dizer, mas hoje, não há mais espaço para heróis. O heróismo é luxo numa universidade que, aos poucos, se transforma em lixo. Não é preciso que haja revolução para que haja reforma. Para reformar é preciso material, planejamento e vontade. Mas eu me esqueci, eles buscam por uma restauração. Eles não sabem se adaptar. Eles são crianças mimadas que querem porque querem sem motivos justificáveis. Eles não querem o debate, eles são contra a maior e mais eficaz forma de democracia já inventada - até porque, a democracia das mãos levantadas é totalmente secreta e inviolável , não?

Eu sou contra essa greve, eu sou contra os preguiçosos que fazem greve. Contra todos aqueles que se deixam levar pelo mais convencional. Se queremos que essa universidade seja o que se diz dela, é preciso acalmar o passo e baixar o tom de voz. Para estudar, é preciso silêncio, para lutar também é preciso.


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