terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Querido Professor,



Eu me formei, não sei nem mensurar a quantidade de tempo que isso levou pra acontecer, e menos ainda o quanto eu suspeitava que isso nunca ia acontecer, de verdade. Eu já desisti umas quatro milhões de vezes da faculdade, cada vez por um motivo diferente, mas os mais freqüentes se encaixavam na minha total percepção sobre mim mesma, e na relutância em aceitar a angústia que vivia dentro do meu peito. Mas eu consegui, e foi aquela coisa que nem parar de fumar, um dia você resolve e pronto.
Eu nunca vou me esquecer de umas das minhas primeiras tentativas de desistir de tudo, quando um dos meus professores mais queridos me disse seriamente: você não devia fazer isso, vai ser a maior burrada. Talvez porque eu o considerasse muito, talvez porque foi um susto perceber que justo ele não em apoiaria - ou como hoje eu vejo com mais clareza, talvez ele tenha sido o único a não ter sido convencido. Aquela fala, no meio da aula, sem muita conversa foi fatal para que a minha certeza se dissolvesse em dúvida. E todas as pedras que eu tive que ultrapassar depois, não vem ao caso agora. A verdade é que no fundo eu sempre tive aquela fala martelando na minha cabeça, e hoje tudo parece fazer muito sentido.
Não que eu, com meus reles 22 anos, possa dizer que sou bem sucedida, mas posso dizer, com toda a certeza do mundo, que eu sou uma pessoa feliz.
E eu vou fazer outra faculdade, nem porque eu goste tanto de estudar, mas pra ter a certeza de dar o melhor pros meus alunos.
E como eu aprendi com o tempo, professor a gente não agradece, agente cresce.
Eu cresci, e estou me tornando eu, com um pouquinho de você, porque eu finalmente me vi.


3 comentários:

Bruno Barrio disse...

quero ver uma aula sua!

Fran Noya disse...

quero ver uma aula sua! [2]

Eliseu Paranhos disse...

O tal cara chato sou eu?