segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

um pedaço.

Tinha os cabelos desbotados amarrados num coque malfeito, no alto da cabeça. As unhas, com um vermelho descascado, batucavam insistentemente sobre a mesa da recepção. Olhou o relógio, estava esperando há 15 minutos, eu vou embora, deve ser sinal isso. Dessa vez ela resolveu acreditar no acaso, na mancha de intuição que parecia emergir do seu peito. O que ela chamava de intuição, eu chamo de medo. Quando ela virou as costas e colocou o pé na rua, eu não sei, droga, e agora, o que eu faço? Sem paredes em que pudesse se esconder, ela se sentiu perdida. Eu sou fraca, burra e fraca, pior, sou burra, fraca e sem paciência, aliás, o que que me fez pensar que eu podia me dar ao luxo de não ter paciência? E agora? Pra onde eu vou, o que que eu faço, meu Deus!? Ela sentou na calçada e ensopou seus tênis velhos na poça d'agua. Quando começou a sentir a lama infiltrando entre seus dedos, teve a sensação de que ia se liquefazer.

Um comentário:

Fran Noya disse...

Ai vai as nossas dúvidas e medos!
Fico na expectativa então.
Abraços