domingo, 20 de julho de 2008

Com sal, mas sem graça.

O coração parecia não afrouxar nunca, vivia em constante falta de ar. Onde você está? Um pé depois do outro, e tentava segurar a tontura, não queria que percebessem que estava prestes a se desfazer. Mas era sempre assim: o pulo sem impulso. E não saía do chão. Estava pregada às pedrinhas pretas e brancas que só podiam ser Copacabana enquanto a pilha do aparelinho de som funcionasse. E parecia que tudo estava prestes a se esgotar, e sentia que não podia mais viver de de repentes. E agora? Onde você está? Não podia com a efemeridade que a vida lhe prostrava. Não havia outra saída, não haviam mais saídas – isso, se algum dia elas houveram.
Estática: o equilíbrio da angústia.
Repetitiva.
Inconsolável.
Enquanto houvesse pilha, ela haveria. Esperando pelo fim das coisas e de si mesma. Pelo abandono, pela perda, por tudo que pudesse vir, assim, de repente.

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