quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

respiração

tristeza, angústia e dor. ela nao sabia como se transfudar. porque nesse momento só transfundações seriam eficazes. e dói, você não imagina o quanto - ou seria como ? - dói. dilacera e amedronta, ou dilacera porque amedronta ? só sei que é pronfunda, funda. ácida, ardida, aguda. os dentes rangem até a espinha tremer. e ela sente frio, muito frio. e medo, muito medo de mostrar quem ela é de fato. ou quem ela pensa que é. ou quem ela quer ser. a verdade é que ela tem medo dessa dor que insiste e sente. medo por ser exagerada demais, por ser latente demais e assustadora demais. ela queria dormir, enconstar a cabeça no travesseiro e ter a certeza de um abraço quente. nada de dor ou inseguranças, nada de pesadelos com outras, nada de ansiedade. ela queria era se sentir segura, estando ou não de fato, mas queria se sentir. acreditar em Deus. rezar e crer na fé que ultrapassa fronteiras. mas aí ela precisava ser outra, ser o que não era e o que desejava ser. mas não era possível, o que ela era era dor, escarro e desespero. e não adiantava ninguém tentar provar o contrário, não adiantava ninguém querer encontrar soluções mágicas, ou reais e concretas. ela não tinha solução. e o mais importante, não queria ter. você teria que amá-la assim, estreita e vertical, latente e dolorida. uma ferida aberta, sangrando, que grita e bate o pé. ela era mimada, e você teria que amar essa menina mimada. mimada e irritante, cheia de defeitos sem nenhum lirismo. o escarro do escarro, sem poesia. carne que sangra e contamina. era isso que estava à sua disposição.

ou ainda está.

Um comentário:

Mr. Mojo Risin' disse...

Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!
...

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...