Isso tomou a minha cabeça por uns dias, nunca em toda a minha vida eu tive a pretensão de ser, ou parecer perfeita. Eu sempre fui a que reclamava, a chata, a briguenta. Nunca deixei barato, nunca aceitei engolir sapo, nunca, mas nunca mesmo fiz algo que não quis só pra ver o outro feliz. Até que alguma coisa mudou e eu não sei o que é. Eu costumava chamar de preguiça, de cansaço. Mas eu acho que não é bem isso, é uma coisa quase chata mesmo, coisa de quem acha que a vida é muito boa pra ser verdade. E eu nunca pensei que minha vida fosse ficar tão deliciosa um dia. Ela é tão gostosa que dá até vontade de dividir. É claro que eu tenho meus momentos de tristeza, de achar que é a hora de jogar tudo pro alto e me atirar da janela. Mas passa. Meu coração aperta, mas depois afrouxa, relaxa. É como se eu desse um passo depois do outro, morrendo de medo de cair no buraco, mas sabendo que eu preciso andar, com quantas pernas eu tiver. E saber que eu tenho braços e mãos e pernas que me guiam, me preservam e me avisam. É saber que não se pode ser exigente demais com quem quer te fazer feliz. Mesmo que você não goste, mesmo que você ache que está tudo errado e que você pode perfeitamente viver sozinho, você não pode. Uma hora outra, cedo ou tarde, você vai precisar de um abraço. Não basta estar lá, e ser amigo. É preciso deixar que te amem, é preciso se deixar ter amigos. Mesmo que seja difícil, mesmo que parece que você é legal demais e atura todo o tipo de chatisse. Eu não penso assim, eu aturo qualquer tipo de amor. E nem chamo de aturar, chamo de preservar.
Fica a dica pro domingo, que eu vou voltar pro meu trabalho.
Dois beijos.
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