terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Me.

Eu passo horas procurando pelo que escrever. Me faz falta, me falta. Como se houvesse um espaço enorme a ser preenchido, e que eu sempre acabo deixando pra amanhã. E aí eu deixei todos os livros que eu tenho que ler em cima da cama, ainda que de vez em quando eles me olhem ameaçadores, eu resisto e estou aqui tentando encontrar, dia após dia, uma flor nascendo em mim.
Encontro num papel quase jogado fora uma frase: queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que escrevi. Se não tivesse assinatura, eu teria cometido um crime. Passei anos buscando o amor através das letras, das frases bem colocadas, dos pontos exatos. Nada nunca aconteceu. Conquistei amigos, e até alguns admiradores com as palavras que chamei de minhas, mas nunca, nenhuma vez, as pessoas que amei sequer leram o que escrevi. Posso dizer que me angustia menos, uma vez que é impossível lutar contra a espontaneidade. Também não tenho mais a fúria romântica instaurada no peito, e talvez, nem tenha certeza se tenho remetente direto. Muitas vezes, penso que aqui está o que há de mais profundo em mim, e como num baú de segredos, aqui fosse o lugar da revelação.
Ledo engano, sou apenas rascunho. Aqui estão apenas os primeiros grifos e rabiscos. Aquilo que pontuo como relativo. Minha sem-vergonhice. Aqui está tudo aquilo que não combina com a minha seriedade cotidiana.

Thanks.

2 comentários:

Fran Noya disse...

Estou na lista dos conquistados.

Maurício Fonseca disse...

Nunca esqueço uma frase pichada num muro que li certa vez...

"conquisto tudo que não quero"