quarta-feira, 4 de abril de 2012

Em-mim.


Liga o som e apaga a luz. Eu só queria que você estivesse aqui. Na verdade não. A verdade é que eu não sei. Não é uma questão de você aqui ou ali. Aliás, não é uma questão de você, é de mim. Eu nem sei de mim. Eu não me sei. Porque saber de si é uma coisa. Saber de si é saber-se através do olhar do outro, é distância, é se ver de longe, por onde anda e onde vai. Saber de si é não saber quem se é.  Ou onde está seu coração, bate ou pulsa? Em quem bate, por quem pulsa. Mas não saber de si é fácil, é se perder de vista. Esquecer seus porquês, seus motivos, suas razões. É viver burocratimente. Agora, muito diferente de não se ver ao longe é não se saber. Eu não me sei por que eu não sei decodificar os sinais que minhas veias mandam ao coração. Eu não me sei. A música que toca, toca. E eu não sei. Eu canto, eu ando, eu passo, eu vou. E eu não me sei. Eu estudo, eu trabalho, eu me esforço. E eu não me sei. Eu busco, me encontro – ou penso – , me deixo, me largo, me esqueço. Não sei.  Se sou, se sim se não.  Se sou o não, se sou o sei. Se mim, se eu. Se eu dentro de mim. Se não sei nem eu, como vou saber mim? Se em mim não sou, como vou ser pra mim?

Um comentário:

Maurício Fonseca disse...
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