Liga o som e apaga a luz. Eu só queria que você estivesse
aqui. Na verdade não. A verdade é que eu não sei. Não é uma questão de você
aqui ou ali. Aliás, não é uma questão de você, é de mim. Eu nem sei de mim. Eu
não me sei. Porque saber de si é uma coisa. Saber de si é saber-se através do
olhar do outro, é distância, é se ver de longe, por onde anda e onde vai. Saber
de si é não saber quem se é. Ou onde está
seu coração, bate ou pulsa? Em quem bate, por quem pulsa. Mas não saber de si é
fácil, é se perder de vista. Esquecer seus porquês, seus motivos, suas razões.
É viver burocratimente. Agora, muito diferente de não se ver ao longe é não se
saber. Eu não me sei por que eu não sei decodificar os sinais que minhas veias
mandam ao coração. Eu não me sei. A música que toca, toca. E eu não sei. Eu
canto, eu ando, eu passo, eu vou. E eu não me sei. Eu estudo, eu trabalho, eu
me esforço. E eu não me sei. Eu busco, me encontro – ou penso – , me deixo, me
largo, me esqueço. Não sei. Se sou, se
sim se não. Se sou o não, se sou o sei.
Se mim, se eu. Se eu dentro de mim. Se não sei nem eu, como vou saber mim? Se
em mim não sou, como vou ser pra mim?
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