quinta-feira, 8 de março de 2012


E ela estava lá: sentada em cima de uma pilha de livros no chão, passando as unhas descascadas sob a poeira por cima dos livros da última prateleira. Já era tarde. Na biblioteca, havia apenas alguns estudantes que, aos poucos, se dispersavam. Mas ela continuava lá, sentada em sua pilha de livros, parecendo procurar um segredo por entre suas capas. Até que, depois de idas e vindas incessantes, parou em um, capa vermelha - daquelas sem personalidade, encapadas em couro para conservação -, de longe, não se  conseguia ver o nome, só  as letras douradas e grandes: um título e um autor.
Por quanto tempo talvez estivesse procurando por isso: um título e um autor. Alguém que escrevesse e um nome de impacto. Era isso que queria, estava cheia do que sabia de si própria, das suas próprias letras encurraladas na falta de estranhamento da vida. Queria alguém que escrevesse por ela, que a nomeasse, para que assim pudesse, de fato, acreditar, descansar seus dedos inquietos, procurando por títulos e autores desconhecidos, acreditando que duas linhas fossem capazes de acalmar  o desconhecido dentro de si.

2 comentários:

Maíra Selva disse...

gostei..

Maurício Fonseca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.