Eu tenho uma péssima mania de esconder meus problemas pra resolver o dos outros, e no alto dos meus vinteequatro anos ainda não entendo o quanto isso é insustentável. Não sei se foi pro isso que eu virei professora, ou se é por isso que meu peito respira fundo e eu abro um sorriso quando consigo tornar a vida de alguém mais bonita. Não tem coisa mais gostosa que inventar a felicidade – principalmente se você não acredita. Calma lá, é claro que eu acredito – remotamente – que um dia eu serei, de fato, feliz. Mas eu ainda preciso amadurecer pra entender que a felicidade não está intrinsecamente ligada à uma casa, um cachorro e dois filhos barulhentos. Que a vida não é um filme daqueles que a gente chora vendo no cinema – só porque tá escuro. Eu sempre me perguntei o que acontecia depois dos finais felizes, odiava os fins de novela. Afinal, agora que tudo ficou bem, o que acontece? A gente não pode ver a felicidade? Minha mãe sempre falava, ah, gente feliz não tem graça, tudo fica muito calmo, por isso que acaba. Essa é uma das minhas maiores angústias, eu não quero que quando ela chegue, vá embora junto com os créditos finais. Por isso eu crio, invento, sugiro, inspiro. Talvez pra esquecer de mim, pra que não se preocupem, pra que não se lembrem que eu sou toda assim-assim. Mas aí as coisas voltam que nem um furacão – cheio de som e fúria – porque eu ainda não aprendi que abdicar de si é o oposto de se fugir da dor.
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